Affonso Nunes
JJoão Bosco dá nesta sexta-feira (2), no Qualistage, início à turnê de lançamento de "Amigos Novos e Antigos" (Som Livre), primeiro álbum de duetos de uma carreira que fez 54 anos — e cujo dono completou 80 em julho. Celebrado no Rock in Rio em setembro, ele apresenta em "João Bosco 80 Anos" um repertório que percorre cinco décadas de um cancionero essencialmente brasileiro e sofisticado da primeira à sexta corda de seu fantástico violão. O bandolinista Hamilton de Holanda e o canror e compositor Tiago Iorc são os convidados do artista.
O disco, adiantado em EP de seis faixas em julho, saiu completo na última sexta (25) e abre e fecha com a mesma canção — "Odilê Odilá", em dueto com Martinho da Vila, em duas versões de arranjos diferentes. No intervalo entre elas desfilam Chico Buarque, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo, Mart'nália, Jota Pê, Bruna Black e Vanessa Moreno, velhos companheiros ao lado de uma geração de artistas que cresceu ouvindo suas músicas. "Chegar aos 80 cercado de pessoas que fizeram parte da minha história e de artistas que continuam levando essa música pra frente é um presente", resume Bosco. "Este disco nasceu da vontade de agradecer. Cada canção é uma conversa, um abraço, um reencontro."
São 17 canções redeenhadas em arranjos preciosos com produção musical dividida entre o artista e o trombonista Rafael Rocha, autor dos arranjos de cordas e metais que dão novo fôlego às releituras.
Chico Buarque está em "Incompatibilidade de Gênios" sobre o piano do cubano Gonzalo Rubalcaba; Caetano interpreta "Sinhá", parceria de Bosco com o próprio Chico; Mart'nália dá novo brilho a "Kid Cavaquinho"; Tiago Iorc renova "Perfeição", escrita com o filho Francisco; César Camargo Mariano pinta os teclados de "Casa de Marimbondo"; e Hamilton de Holanda dedilha o bandolim em "Nação".
No palco, Bosco estará com Ricardo Silveira (guitarra), Guto Wirtti (baixo), Kiko Freitas (bateria) e Marçal (percussão). O show tem duração certeira — 80 minutos, um por ano de vida — e atravessa as parcerias com Aldir Blanc, de "O Bêbado e a Equilibrista" e "O Mestre-Sala dos Mares" a "Bala com Bala", "De Frente pro Crime" e "Rancho da Goiabada". Do Rio, a turnê segue para São Paulo (9), Porto Alegre (15) e Curitiba (16).
Cinquenta e quatro anos atrás, uma canção chamada "Agnus Sei" fez Elis Regina descobrir um violão de Ponte Nova — e lançá-lo ao país. Dos veteranos da cena aos herdeiros do streaming, a obra segue em circulação, agora emoldurada pelos amigos. Como é sábio o autor que sabe trazer viço à sua obra.
SERVIÇO
JOÃO BOSCO 80 ANOS — AMIGOS NOVOS E ANTIGOS
Qualistage (Avenida Ayrton Senna, 3000, Barra da Tijuca)
2/10, às 21h30
Ingressos a partir de R$ 90
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