Música

Maurício Pereira entre casos e canções

Projeto Lança Perfume promove nesta quarta no Manouche bate-papo e audição do primeiro álbum de inéditas do músico em oito anos

Maurício Pereira entre casos e canções
Em 'O Dia da Girafa', Maurício Pereira reúne faixas nascidas de anotações produzidas sem compromisso no inquietante período da pandemia Crédito: Bruno dos Anjos/Divulgação

O cantor e compositor Maurício Pereira estará nesta quarta-feira (26), às 20h30, no Manouche, para uma conversa com o jornalista Leonardo Lichote sobre "O Dia da Girafa", seu primeiro álbum de inéditas em oito anos. O encontro integra o projeto Lança Perfume, criado pela diretora artística da casa, Alessandra Debs, e por Lichote, e propõe algo mais específico que uma entrevista convencional: público, convidado e mediador ouvem juntos o disco antes de discutir suas canções.

A audição permite acompanhar o encadeamento da obra de 12 canções, lançada em julho. Conhecido pela crônica de personagens, ruas e situações da vida paulistana, o compositor desloca o foco para uma matéria mais íntima e associativa. As letras nasceram de anotações feitas por Maurício durante a pandemia; agora, as cenas já não precisam chegar organizadas como pequenas narrativas.

"Em tempos normais, sou cronista. Sob pressão, funciono mais poeticamente", afirmou o músico ao Correio por ocasião do lançamento do novo álbum. "O Dia da Girafa" trabalha com aproximações, desvios e lacunas, como se a canção acompanhasse o pensamento antes que ele se organize em história.

A faixa de abertura, "Uma Vida Standard", escrita com Edson Natale, anuncia a tensão entre uma vontade de comunicação direta e a recusa de simplificar a experiência. O disco inclui "Casamata de Amoreiras", parceria com Rômulo Fróes; "Eu Trago o Coração Vazando", feita com Tim Bernardes; e a faixa-título, composta com Lu Horta. "A Professora de Melancolia" e "Quanta Barbaridade" ampliam esse repertório de observação íntima, sem abandonar o humor que atravessa a obra de Maurício.

A presença dos filhos Tim e Chico Bernardes é destaque no trabalho. Tim divide composição, baixo e arranjos de metais em uma das faixas; Chico toca violões, coproduz e assina a mixagem. Biel Basile, responsável pela produção e pela bateria, ajuda a costurar o repertório, que também reúne parcerias com Tonho Penhasco, Fábio Sá e Julia Toledo. É um álbum de parcerias, mas com unidade narrativa.

A conversa no Manouche recoloca o artista diante de uma história que passa pelo saxofone, pela composição e pela cena independente. Integrante dos Mulheres Negras ao lado de André Abujamra, Maurício construiu uma obra que concilia humor, estranhamento e canção popular. Músicos mais jovens voltaram a apontá-lo como referência pela liberdade de forma de suas canções.

SERVIÇO

LANÇA PERFUME: LEONARDO LICHOTE CONVIDA MAURÍCIO PEREIRA

Manouche (Rua Jardim Botânico, 983, subsolo da Casa Camolese)

26/8, às 20h30

Ingressos: R$ 100 e R$ 50 (meia ou ingresso solidário, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível ou livro)