Músico e produtor experiente, Roberto Menescal costuma dizer que fazer show gratuito é a melhor coisa do mundo. Aos 88 anos e mais de 70 de carreira, o homem que está entre os inventores da batida da Bossa Nova e Cris Delanno apresentam nesta quinta-feira (6), às 19h, no Espaço BNDES, o show "O Lado B da Bossa" com o repertório do álbum homônimo gravado com a cantora, uma de suas afilhadas musicais.
O conceito do espetáculo — e do álbum que o originou — partiu de Cris: revisitar canções que não figuram nas listas mais populares do gênero, ficando à sombra dos grandes standards, mas que guardam a mesma elegância. "São músicas que a gente adora. Com a cara da gente. Saudade do que a gente fez, mas também saudade do futuro", avisa Menescal.
O repertório inclui "Deixa" (Baden Powell e Vinicius de Moraes), "O Negócio É Amar" (Carlos Lyra e Dolores Duran), "Chora Tua Tristeza" (Oscar Castro-Neves), "Mentiras" (João Donato) e o medley "Este seu olhar/Promessas" (Tom Jobim e Newton Mendonça).
A parceria entre Menescal e Cris tem mais de três décadas. Ela começou a trabalhar com ele aos 18 anos, em vocais de apoio, e desde então os dois dividiram estúdio e palcos pelo Brasil e pelo mundo. O álbum foi gestado em 12 encontros na casa de Menescal, no Recreio dos Bandeirantes, e na sede da Abramus, na Barra da Tijuca.
Os arranjos foram escritos à mão e depois passados para o computador pelo pianista Adriano Souza. Há ainda uma camada de afeto que perpassa todo o disco: a faixa "O Bondinho" é parceria de Menescal com Cris e Alex Moreira, companheiro da cantora por 22 anos, falecido em outubro de 2023. Foi a música, segundo Cris, que a trouxe de volta ao estúdio. "A música cura tudo. Tudo mesmo", disse ela na época do lançamento do trabalho.
No palco do BNDES, o mesmo trio do disco: João Cortez na bateria, Adriano Souza no teclado e Adriano Giffoni no contrabaixo. Menescal volta ao violão Giannini — instrumento que, depois de anos preterido por guitarras, foi restaurado pelo luthier Luiz Felipe de Moraes, que por acaso tornou-se vizinho de condomínio do músico. Foi o violão que pediu o tom do projeto: intimista, artesanal, feito de encontros.
Para quem tem 88 anos e uma agenda que incluiu cinco shows em cinco dias consecutivos, o entusiasmo é o mesmo do jovem que subornou um garçom aos 17 para entrar num bar e ouvir Johnny Alf tocar — episódio que mudou sua vida. "Saí daquele bar louco", conta. Agora, o músico promete um fim de dia inesquecível para o que considera a platéia dos seus sonhos.
"O Lado B da Bossa" é, segundo ele, um dos espetáculos que mais gosta de fazer. Não é difícil entender por quê.
SERVIÇO
ROBERTO MENESCAL E CRIS DELANNO - O LADO B DA BOSSA
Espaço BNDES (Av. Chile, 100 - Centro) | 6/8, às 19h
Entrada gratuita, com retirada de ingressos meia antes do espetáculo
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