Correio da Manhã
Música

Lusofonia indie com recheio sinfônico

Orquestra Maré do Amanhã se apresenta no intervalo dos shows de Jovem Dionísio, Terno Rei e capitão Fausto neste domingo no Vivo Rio

Lusofonia indie com recheio sinfônico
Orquestra Maré do Amanhã Crédito: Divulgação

Três bandas de universos sonoros bem distintos — a curitibana Jovem Dionísio, a paulista Terno Rei e os portugueses da Capitão Fausto — dividem o palco do Vivo Rio neste domingo (31). E a Orquestra Maré do Amanhã sobe ao palco no intervalo com um repertório inédito, transformando o show em experiência que mescla indie rock, pop e arranjos sinfônicos.

O evento integra o projeto "Mostra de Portugal Contemporâneo no Brasil", do Arte Institute, e reforça o intercâmbio cultural entre os dois países. Cada grupo traz uma assinatura sonora própria, mas todas compartilham a exploração de linguagens que transitam entre o pop, o rock alternativo e a experimentação.

Jovem Dionísio, formada em 2019 em Curitiba, estourou em 2022 com o hit "Acorda, Pedrinho", que viralizou nas redes. Desde então, a banda consolidou presença em festivais como Lollapalooza e Rock in Rio, construindo uma base de fãs que acompanha sua trajetória de indie pop com toques de bedroom pop. Terno Rei, nascida em São Paulo em 2010, trilha caminho mais introspectivo: o grupo é conhecido pela melancolia urbana e lirismo etéreo que marcam discos como "Violeta" (2019) e "Gêmeos" (2022), onde dream pop, pós-punk e MPB se entrelaçam. Capitão Fausto, banda portuguesa, completa o triângulo com sua própria linguagem pop-rock, trazendo a perspectiva da cena contemporânea portuguesa para o palco carioca.

A Orquestra Maré do Amanhã é um projeto nascido no Complexo da Maré em resposta a uma tragédia pessoal e apresenta repertório especialmente criado para o evento. O maestro Filipe Kochem preparou arranjos que transitam entre funk, rock e pop, incluindo homenagem à música portuguesa: além do clássico "Uma Casa Portuguesa", o repertório inclui medley do pop português com canções de Dino d'Santiago e Nelly Furtado (que, apesar de canadense, tem origem portuguesa).

Criada em 2010 pelo jornalista Carlos Eduardo Prazeres após o assassinato de seu pai, o maestro português Armando Prazeres, a OMA transformou o luto em ação: em 15 anos, impactou mais de 17 mil crianças e jovens do Complexo da Maré. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro (2023), a iniciativa consolidou-se como referência nacional em educação musical e transformação social. Seus músicos já tocaram para o Papa Francisco no Vaticano, desfilaram com a Beija-Flor no Carnaval e se apresentaram para 2,5 milhões de pessoas no Réveillon de Copacabana com Anitta.

SERVIÇO

JOVEM DIONÍSIO, TERNO REI, CAPIÃO FAUSTO E ORQUESTRA MARÉ DO AMANHÃ

Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85 — Aterro do Flamengo)

31/5, às 18h

Ingressos a partir de R$ 140 e R$ 70 (meia)