Vítima das intolerâncias ditatoriais da América do Sul, o cineasta ítalo-chileno Marco Bechis receberá nesta quinta-feira (22), na 50ª Mostra de São Paulo o Prêmio Humanidade, uma honorária concedida anualmente pelo evento, numa celebração da empatia e da solidariedade. Esses dois substantivos servem de base para a filmografia do diretor, que recebe a honraria, às 18h30, no Cultura Artística.
A homenagem inaugura a sessão de "Retorno a Buenos Aires", seu novo longa-metragem, antes exibido em competição pelo Leão de Ouro no Festival de Veneza, onde venceu o prêmio independente Francesco Pasinetti.
Essa coprodução com o Brasil acompanha o calvário de Mariano Guerra (Adriano Giannini), que regressa à Argentina após 33 anos na Itália, a fim de testemunhar no julgamento dos militares responsáveis por seu sequestro, tortura e humilhação durante a ditadura. A juíza que cuida do caso é vivida pela paulista Paula Cohen, filha de uruguaios.
Esse enredo tem ressonâncias biográficas: Bechis foi preso em 1977 pelo regime argentino e posteriormente deportado para a Europa, terra de seus ancestrais. A experiência marcou sua trajetória e alimentou narrativas como "Garage Olimpo" (1999), sobre uma jovem ativista sequestrada e torturada. A relação do realizador com a Mostra atravessa décadas. Em 2008, seu badalado "Terra Vermelha" abriu a 32ª edição do festival, que também abrigou o trabalho dele em "Mundo Invisível".
Em sua 50ª edição, a maratona cinematográfica segue até 29 de outubro, reafirmando o espaço do cinema como instrumento de memória e reflexão sobre as feridas da História.
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