Nos 45 minutos de seu segundo tempo, o Festival de Gramado vai desviar o foco da partida regulamentar pelo Kikito para se concentrar num exercício memorialista futebolístico sobre a rivalidade mais folclórica do Rio Grande do Sul, pelo menos no âmbito do esporte: o Grêmio vs. o Internacional. Nesta quinta-feira, às 16h, o auditório do Hotel Serra Azul vai virar uma sala de exibição para projetar, com entrada franca, "Grenal: o Maior Clássico das Américas". Esse .doc revisita mais de um século de confrontos entre os dois clubes, numa narrativa dirigida por Belisario Franca e Tatiana Sager, com direção adicional de Renato Dornelles e roteiro de Leo Garcia.
Produzido pela Giros Filmes em parceria com Panda Filmes, Sportv e RBS TV, o longa chega a Gramado antes de sua estreia nos cinemas. A sessão reunirá profissionais do futebol que participaram do filme, divididos entre os tapetes vermelho e azul, em uma provocação cromática à rivalidade.
Em depoimento via whatsapp ao Correio da Manhã, Belisario (um dos mais respeitados artesões do documentário no país, consagrado com "Menino 23") explica: "O Grenal vai muito além de uma rivalidade entre dois clubes, entre as duas torcidas. A gente pode afirmar que o Grenal também ajuda a definir o que é o ser gaúcho. Seja no que o gaúcho tem de determinado, lutador, competitivo, mas também irreverente, provocador e até mesmo solidário. É um clássico de futebol que vai muito além do campo de jogo: mobiliza as famílias, a imprensa e as torcidas antes, durante e depois do jogo. Atravessa gerações. Aparentemente isso seria um motivo de divisão, com cada torcida defendendo seu próprio clube. Mas o clássico é tão maior que a escolha individual passa a ser um traço de união e singularidade para os gaúchos", conta o realizador.
Para Tatiana Sager, o desafio foi capturar justamente esse sentimento que atravessa gerações. "Foi uma honra dividir a direção com o Belisário Franca, pois este documentário não é apenas sobre futebol, mas sobre a identidade de um Estado dividido por duas cores apaixonadas", afirma a diretora. As gravações ocorreram em 2023 e 2024, e o filme tem ainda entre seus produtores executivos Maurício Magalhães. Tatiana e Renato Dornelles serão homenageados nesta edição do festival com o Prêmio Iecine Destaque.
"A chave para esse longa foi conseguir trazer a radical vivência de assistir a um jogo de futebol ao vivo, no calor da torcida, e em especial um Grenal. Grenal é rock & roll", diz Belisario. A nossa escolha foi colocar a torcida embalando o filme em seus vários momentos: nos estádios, nas suas casas e junto com os ídolos, jogadores e técnicos, que se transformam também em torcida. É a torcida que dita o ritmo do filme, com suas memórias, suas vivências durante os clássicos, na vitória ou na derrota. Assistir ao longa é entrar no estádio para viver um Grenal com tudo de pulsante que esse clássico único traz em cada um dos seus embates."
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