Cultura

A verba cultural sobe o morro

Com inscrições abertas, pacote de editais 'Na Batida do RJ' destina R$ 2,725 milhões a 77 projetos de funk e hip hop no estado

A verba
cultural
sobe o morro

Ofunk carioca construiu sua história na contramão — dos bailes de rua dos anos 1970 aos salões de subúrbio, sempre sob suspeita e sempre buscando espaço. Em recohecimento à sua revelavância em nossa cultura popular, o governo estadual, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, lançou o pacote de editais "Na Batida do RJ", que destina R$ 2,725 milhões à produção e difusão do funk e do hip hop em todo o território estadual.

Publicados no Diário Oficial entre 20 e 21 de outubro, os dois editais — Valorização do Movimento Funk e Movimenta Hip Hop 2026 — selecionarão 77 propostas entre modalidades de atuação artística, eventos, oficinas e formação, com inscrições abertas de 21 de outubro a 9 de novembro pela plataforma Desenvolve Cultura.

Desse montante, R$ 1,925 milhão, repassados pela Política Nacional Aldir Blanc, financiam o edital Valorização do Movimento Funk: 35 projetos divididos em duas vertentes. Vinte e um videoclipes independentes de músicas autorais receberão R$ 25 mil cada. Outros quatorze festivais ou eventos ficarão com R$ 100 mil por proposta, para atividades presenciais com shows, performances, oficinas e exposições ao longo de pelo menos dois dias consecutivos, com contribuição comprovada à economia criativa da região.

Os R$ 800 mil restantes, divididos igualmente entre o Fundo Estadual de Cultura e uma emenda parlamentar da Alerj, bancam o Movimenta Hip Hop 2026, com 42 propostas em três frentes. Dez projetos de "Hip Hop nas Escolas" levarão oficinas de breaking, graffiti, rap e DJ a instituições públicas de ensino, a R$ 30 mil cada. Doze produções musicais terão R$ 25 mil para gravar faixas inéditas, e vinte rodas culturais, a R$ 10 mil, espalharão encontros presenciais pelos territórios.

A secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, define o espírito do pacote: investir na cultura popular é reconhecer a potência criativa que nasce nos territórios, movimenta a economia local, gera oportunidades e transforma vidas. Segundo ela, a ação pretende "ampliar o acesso aos recursos públicos, fortalecer os produtores culturais e valorizar expressões que integram a identidade do estado".

Esse respaldo para políticas voltadas ao segmento vem de longe. Em 22 de setembro de 2009, a lei estadual nº 5.543, de autoria dos então deputados Marcelo Freixo e Wagner Montes, definiu o funk como movimento cultural e musical de caráter popular e, no mesmo dia, revogou a Lei Álvaro Lins, de 2008, que impunha regras específicas a bailes funk e festas raves. O texto determina ainda que compete ao poder público assegurar festas, bailes e reuniões "sem quaisquer regras discriminatórias", e afirma que os artistas do funk são agentes da cultura popular, com direitos a ser respeitados. Dezessete anos depois, enfim, o movimento torna-se agente cultural apto a captar recursos.