Cultura

As maravilhas de Luiz Melodia

Malu Galli estreia como cantora em espetáculo que revisita álbum lançado há 50 anos e aproxima a obra do compositor da música contemporânea

As maravilhas de Luiz Melodia

Por Rafael Lima

Cinquenta anos depois de seu lançamento, "Maravilhas Contemporâneas", segundo álbum de Luiz Melodia, ganha uma nova leitura nos palcos. O projeto que leva o mesmo nome reúne a atriz Malu Galli, em sua estreia como cantora, o músico e compositor Rômulo Fróes e o pesquisador e escritor Fred Coelho. A apresentação em São Paulo acontece no dia 13 de outubro, na Casa de Francisca.

Lançado em 1976, quatro anos depois de "Pérola Negra", o disco consolidou Luiz Melodia como um dos nomes mais originais da música popular brasileira. Agora, suas onze faixas servem de ponto de partida para um espetáculo que procura estabelecer uma conversa entre a produção musical dos anos 1970 e a criação contemporânea.

A proposta vai além de uma homenagem convencional. Com direção artística e musical de Rômulo Fróes, direção cênica de Malu Galli e Fróes e roteiro e pesquisa de Fred Coelho, o espetáculo parte da obra de Melodia para discutir como sua música continua reverberando entre artistas de diferentes gerações.

O repertório inclui canções como "Questão de Posse", "Baby Rose", "Congênito", "Memórias Modestas", "Presente Cotidiano", "Magrelinha" e "Amor". Ao lado delas, aparecem músicas de outros compositores, entre elas "It's a Long Way", de Caetano Veloso; "Quando Canto", de Rômulo Fróes e Rodrigo Campos; "Promessas e Previsões", de Ana Frango Elétrico; "Dessemelhantes", de Juçara Marçal; "Mistério do Planeta", dos Novos Baianos; "Para-Raio", de Djavan; e "Você Não Vai Passar", de Ava Rocha e Negro Leo.

A seleção cria conexões entre diferentes períodos da música brasileira e percorre temas presentes na obra de Melodia, como cidade, amor, solidão, carnaval, morte, desigualdade social e a transgressão.

Uma nova experiência
para Malu Galli

Conhecida por sua trajetória no teatro, no cinema e na televisão, Malu Galli assume no projeto uma função diferente. A atriz estreia como cantora tendo como ponto de partida um álbum que considera fundamental para a música brasileira.

A ideia surgiu depois que Galli assistiu a "Transa", releitura de Rômulo Fróes para o disco de Caetano Veloso. A experiência levou a atriz a procurar o músico para desenvolver um projeto semelhante a partir de "Maravilhas Contemporâneas".

"Pensei no Maravilhas Contemporâneas, de Luiz Melodia, como um álbum tão icônico quanto Transa", conta Malu Galli. A intenção, segundo ela, era construir algo que não se limitasse ao formato tradicional de tributo, mas que também dialogasse com a música atual e com o ambiente cultural dos anos 1970.

A direção musical de Fróes também evita uma simples reprodução do disco original. A banda participa ativamente das performances e explora diferentes possibilidades sonoras. Integram o grupo Rodrigo Campos, na guitarra e cavaquinho; Danilo Penteado, no baixo; Arquétipo Rafa, na bateria e percussão; e Filipe Nader, no sax e clarinete. Fróes também participa do espetáculo como convidado.

O roteiro de Fred Coelho trata o álbum de 1976 como um ponto de conexão entre gerações. A proposta é mostrar como a obra de Melodia permanece como referência para compositores contemporâneos e como suas canções continuam encontrando novos intérpretes e significados.

Depois das apresentações em Ribeirão Preto e Franca, o espetáculo chega a São Paulo no dia 13 de outubro. A apresentação será realizada na Casa de Francisca.