marcelo perillier
Oespetáculo "Guerreiras!" reúne obras da música de concerto, da canção brasileira e da música internacional em uma montagem que combina canto lírico, piano, teatro, projeções visuais e narrativa cênica. Estrelado pela soprano Ana Lia Alves, pela pianista Sulamita Lage e pela atriz Soraia Arnoni, com supervisão de direção artística de Tatiana Tiburcio, o projeto realiza seis apresentações gratuitas no estado.
A temporada começa no Teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias, com sessões nos dias 19 e 26 de agosto e 1º e 8 de setembro, às 16h. Em seguida, vai ao Teatro Arthur da Távola, na Tijuca, nos dias 29 e 30 de setembro, às 19h.
O repertório inclui composições de nomes como Chiquinha Gonzaga, Lorenzo Fernandez, Marlos Nobre, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, George Gershwin e Nina Simone. As obras são articuladas a histórias de mulheres que desafiaram padrões de seu tempo e transformaram adversidades em criação artística, pensamento e ação política.
"Quando conhecemos histórias de mulheres que enfrentaram tantas adversidades e tiveram papéis tão fundamentais em diversas áreas, compreendemos melhor os desafios do presente e fortalecemos a construção de uma sociedade mais justa e democrática. Celebrar essas trajetórias significa preservar memórias e reconhecer que essas conquistas fazem parte de uma luta coletiva que continua até hoje", afirma Sulamita Lage.
Além das apresentações, o projeto promove ações de formação de plateia voltadas a estudantes da rede pública, ampliando o acesso à música de concerto e estimular discussões sobre cultura, memória, igualdade racial e direitos das mulheres.
Música e reflexão social
Conduzido por Ana Lia Alves e Sulamita Lage, "Guerreiras!" surgiu a partir da percepção da soprano de que os recitais tradicionais, embora musicalmente relevantes, nem sempre estabelecem um diálogo mais amplo com questões da sociedade contemporânea.
"Foi dessa inquietação que surgiu o desejo de criar projetos que unissem excelência musical, presença cênica e reflexão social", conta Ana Lia.
A parceria entre as duas artistas também deu origem ao Duo Pretas, dedicado à pesquisa de repertórios e narrativas relacionadas às identidades negras. O projeto aproxima a música de concerto de debates sobre memória, representatividade e cultura afro-diaspórica, percurso que contribuiu para a criação de "Guerreiras!".
"O projeto atua na valorização da cultura negra e na ampliação da presença de mulheres negras na música de concerto, contribuindo para a construção de novos referenciais simbólicos", destaca Sulamita Lage.
Durante a apresentação, o público encontra referências a mulheres como Carolina Maria de Jesus, Ruth de Souza e Maria da Penha, entre outras personagens que marcaram a história brasileira. A proposta, porém, também busca dar visibilidade às mulheres anônimas que enfrentam diariamente o racismo, a desigualdade, a violência doméstica e outras formas de opressão.
"Também homenageamos as mulheres anônimas que sustentam famílias, enfrentam o racismo, a desigualdade, a violência doméstica e os inúmeros obstáculos impostos historicamente às mulheres. Queremos ampliar o significado da palavra guerreira e reconhecer as lutas cotidianas, mostrando que a resistência se manifesta tanto nos grandes feitos registrados pela história quanto nas lutas silenciosas travadas diariamente por milhões de mulheres", afirma Ana Lia.
A atriz Soraia Arnoni amplia a dimensão teatral da montagem ao incorporar textos e personagens relacionados aos temas apresentados. Para Sulamita, a construção cênica procura equilibrar a abordagem das questões sociais com momentos de celebração.
"'Guerreiras!' não se constrói apenas pela denúncia. O espetáculo também celebra conquistas, afetos, ancestralidade, criatividade, coragem e transformação. Nossa intenção é que o público saia da apresentação emocionado, provocado e inspirado pelas trajetórias que conhece ao longo do espetáculo", ressalta.
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