Trauma, silenciamento e reparação

Solo de Juliana Yurk sobre violência sexual, 'Elas Ganham Voz' encerra temporada no CCJF

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A atuação de Juliana Yurk articula corpo, performance, vídeo e palavra para ampliar o debate público sobre o tema

Solo de Juliana Yurk sobre violência sexual, 'Elas Ganham Voz' encerra temporada no CCJF

O monólogo "Elas ganham voz" encerra sua temporada nesta semana, após ocupar o palco do Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) no mês das mulheres. O solo autoral da atriz e performer Juliana Yurk, dirigido por Sol Faganello, segue em cartaz com apresesntações nesta quarta e quinta-feiras, às 19h. A peça reúne relatos autobiográficos e memórias de mulheres da família da artista para abordar violência sexual, trauma, silenciamento e processos de reparação.

Em 55 minutos, a montagem articula corpo, performance, vídeo e palavra em uma proposta que busca ampliar o debate público sobre o tema. Juliana Yurk explica sua abordagem: "Em 'Elas ganham voz', eu transformo silêncio em palavra e corpo em memória. É um trabalho que nasce de vivências reais e da escuta das mulheres da minha família, para abrir uma conversa pública sobre violência sexual, trauma e reparação". A peça aborda conteúdo sensível com classificação indicativa de 18 anos.

O trabalho desdobra-se do curta-metragem experimental "Elas" (2022), dirigido e performado por Juliana Yurk em parceria com Barbara Roma. A primeira versão cênica foi apresentada em ensaio aberto em 2024 no Espaço de Provocação Cultural, em São Paulo, sob orientação de Maria Amélia Farah. A montagem atual aprofunda a pesquisa iniciada no filme.

"Foi uma convocação, um chamado para construirmos juntas uma ponte poderosa de reflexão por meio da linguagem teatral. O espetáculo nasce de uma trajetória corajosa de enfrentamento, mas também se projeta para o futuro, dialogando com as meninas que estão nascendo hoje. É por todas que precisamos desmascarar a cultura do estupro e continuar a lutar", afirma a diretora.

A peça integra um time de artistas mulheres: trilha sonora original de Camila Couto e criação de luz por Jessica Catherine. Juliana Yurk é atriz, diretora, roteirista e performer natural de Curitiba, radicada no Rio. Sua formação inclui Cinema, Artes Cênicas e Comunicação, além de pós-graduação em Arteterapia. O curta "Elas" foi selecionado em festivais como New York International Women Festival, Festival Internacional de Cine Silente (México) e Los Angeles Autores Independientes.

SERVIÇO

ELAS GANHAM VOZ

Centro Cultural da Justiça Federal - CCJF (Av. Rio Branco, 241, Centro)

Até 25/3, terça e quarta-feira (19h) | Ingressos: R$ 60 e e R$ 30 (meia)