Na hotelaria, o fim da escala 6x1 vai além da reorganização das folgas. Com atendimento 24 horas, inclusive nos fins de semana, os hotéis enfrentam o desafio de manter as equipes sem elevar excessivamente os custos. "O consumidor não suporta o aumento de custo, e as empresas não têm como repassar esse incremento para o consumidor", analisa Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO. Segundo ele, a redução da jornada sem corte salarial exigirá mais contratações em atividades contínuas como hotéis, shoppings e hospitais. A Atrio, que administra 108 propriedades em 18 estados, já testa uma nova escala em dois hotéis. O vice-presidente Paulo Melega observa que os impactos variam conforme porte, perfil e sazonalidade de cada unidade. A empresa prevê pressão imediata sobre a folha, mas vê na tecnologia e na produtividade caminhos para amenizar despesas no médio e longo prazos.
Fim da escala de 6x1 impõe desafio à hotelaria brasileira
Ritmo externo
O tráfego internacional somou 22,7 milhões de passageiros entre janeiro e setembro, alta de 7,2% segundo levantamento do Ministério do Turismo. O crescimento percentual superou o registrado nos voos domésticos, de 3,4%. São passageiros transportados, um indicador diferente das chegadas de turistas estrangeiros ao Brasil.
Voos internos
Nos voos domésticos, 76,8 milhões de passageiros viajaram de janeiro a setembro, 3,4% acima do mesmo período de 2025. É o maior resultado da série iniciada em 2000, segundo a Anac. O recorde indica maior movimento nos aeroportos nacionais, mas não revela se viajar de avião pelo Brasil ficou mais barato para o consumidor.
Aviação em alta
O transporte aéreo brasileiro movimentou 99,5 milhões de passageiros entre janeiro e setembro, segundo dados da Anac divulgados pelo Ministério do Turismo. O volume supera em 4,2% o do mesmo período de 2025. A marca reúne voos domésticos e internacionais e não representa, necessariamente, viagens a turismo.
Alívio aos MEIs
O pacote do governo federal Prospera MEI prevê perdão de dívidas tributárias inscritas na Dívida Ativa da União e apoio de até R$ 5 mil, sem devolução, para pequenos negócios, inclusive do turismo. O perdão já passou pelo Congresso, mas ainda depende de sanção presidencial. O PixMEI também aguarda definição das regras de acesso.
Crédito turístico
Guias, motoristas, artesãos e outros MEIs da cadeia produtiva do turismo podem buscar até R$ 21 mil em financiamento pelo Fungetur para investir no negócio. A linha exige inscrição ativa no Cadastur e no CadÚnico e conta com orientação do Sebrae. Diferentemente do PixMEI anunciado pelo governo federal, trata-se de crédito a ser pago.
Destinos em alta
Praias e grandes cidades estão entre as preferências de quem embarca de Brasília pela Copa Airlines. De janeiro a agosto, os sete destinos mais procurados na rede da empresa foram Cancún, Punta Cana, Cidade do Panamá, Miami, Curaçao, Nova York e Orlando. A pesquisa considera as viagens realizadas pela companhia aérea panamenha.
Abrasel prevê pressão sobre os preços
A reação mais dura veio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. O presidente da entidade, Paulo Solmucci, chamou o fim da escala 6x1 de "tragédia socioeconômica anunciada". A entidade projeta alta de até 20% nos custos com pessoal e reajuste de cerca de 7% nos preços dos restaurantes. Também teme o fechamento de estabelecimentos em um dia adicional da semana por falta de mão de obra. Apesar disso, lançou um guia gratuito para orientar empresários sobre prazos, escalas e negociação coletiva.
Turismo já ensaia diferentes soluções
No Grupo Schultz, há 40 anos no setor, a escala 5x2 já é a regra, salvo nos plantões de sábado, em rodízio. A diretora-geral, Ana Santana, considera a mudança positiva. Já Danila Bernardi, da Athros, adverte que hotéis e restaurantes terão de rever equipes e custos, conforme suas margens, e avaliar novas tecnologias. A adaptação será desigual: uma operadora e um hotel aberto dia e noite partem de realidades distintas.
Hotel reduz rotatividade após adotar escala 5x2
A escala 5x2 já era realidade em alguns hotéis antes da mudança constitucional. O TRYP by Wyndham São Paulo Paraíso adotou o modelo em fevereiro de 2024, em uma equipe de 49 pessoas, e informa que a rotatividade anual de funcionários caiu de 6% para 2,5%. A mudança elevou a folha de pagamento em cerca de 10%. O resultado sugere que o custo adicional deve ser avaliado junto aos ganhos na retenção e na satisfação dos hóspedes. É um caso concreto, mas não significa que todos os hotéis terão o mesmo resultado.
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