A retomada do território tem sido o tema dos diversos candidatos ao Palácio Guanabara. Não é para menos. Nos últimos 10 anos, as milícias e as facções tomaram comunidades e territórios de uma maneira avassaladora.
A política de retomada dos territórios pelo poder público, implementada entre 2008 e 2014, pelo meu governo, com a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, libertou milhões de moradores de comunidades e bairros do jugo do poder paralelo.
A polícia presente 24 horas anulou o poder armado paralelo. As comunidades deixaram de ser bunkers dos criminosos. Motos e carros roubados não eram mais estocados pelos bandidos nas favelas. Os moradores dos bairros vizinhos tiveram seus imóveis valorizados. Inclusive, as próprias residências nas comunidades.
A chave do sucesso foi entrar, pacificar e passar a oferecer políticas públicas aos moradores. Escolas e colégios foram abertos, UPAs 24h inauguradas, unidades da FAETEC nos territórios, agências bancárias, surgimento de atividades econômicas legalizadas, queda vertiginosa no roubo de energia e internet com a entrada das concessionárias com oferta de preços diferenciados para os moradores, quadras e complexos esportivos, bibliotecas, milhares de habitações construídas, muitos investimentos em mobilidade como o metrô na Rocinha, o Teleférico do Complexo do Alemão integrado a estação de trens de Bonsucesso e o Plano Inclinado do Santa Marta.
A agência de fomento do Estado, AgeRio, financiou milhares de empreendedores das favelas.
Artistas, intelectuais, acadêmicos, políticos, desportistas, membros de famílias monárquicas, enfim, os estrangeiros desejavam conhecer a nossa experiência. Quantas dessas personalidades foram comigo às favelas pacificadas! Além dos turistas brasileiros e estrangeiros, que circulavam livremente pelas favelas, sem medo.
As famílias podiam receber seus parentes e amigos, sem o temor de uma bala perdida.
Por que fracassou nas mãos dos meus sucessores? Fracassou porque não houve gestão. Gerir dá muito trabalho. E a derrocada das UPPs não está dissociada de outros fracassos ocorridos após o meu governo. Vejamos:
Nossa gestão fiscal/orçamentária obteve grau de investimento de duas das maiores agências de risco do mundo, S&P e Ficht. Já meus sucessores pediram socorro ao ministério da fazenda do governo federal. Chegamos ao TOP 5 no IDEB nacional; hoje, somos vice-lanterna na educação pública do ranking dos estados. A saúde se tornou instrumento de carreiras de políticos. O ensino técnico deixou de oferecer cursos qualificados para setores estratégicos do nosso estado, tais como metalmecânico, óleo e gás, turismo, entre outros. Os concursos públicos foram paralisados e a massa de servidores, seja na Polícia, seja na Fazenda, no DETRAN, no INEA, no Magistério, nunca mais viram acontecer a fundamental oxigenação da máquina pública. Além de salários sem reajustes e perda do poder aquisitivo dos funcionários públicos estaduais. As cidades do interior foram abandonadas. O período de conquista de empresas estrangeiras e nacionais de porte acabou, assim como acabou o período de conquista de grandes eventos internacionais. Basta citar a derrota das cidades do Rio e de Niterói na disputa para sediar os Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de 2031 para Assunção, capital do Paraguai.
Precisamos, urgente, recuperar o nosso estado. Se isso não for feito, as consequências serão bem mais graves do que já se encontra, e que é assustadora.
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