Alcolumbre, Janones e Gakiya são os heróis da aprovação
04 de novembro de 202600:03Por Tales Faria
Atualizado em 04 de novembro de 2026 - 07:17
Alcolumbre garantiu aprovação unânime da PEC da SegurançaCrédito: Ton Molina/Agência Senado
Três nomes eram apontados entre os senadores como os principais responsáveis pela aprovação, por 73 votos a zero, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP); o deputado André Janones (Rede-MG); e o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo.
Gakiya, porque o Planalto deixou vazar que ele é o nome preferido de Lula para chefiar a nova pasta da Segurança Pública, prometida para os próximos dias. O promotor é considerado um herói na luta contra o crime organizado. A escolha tem apoio amplo entre governistas e oposicionistas. Alcolumbre, porque foi o principal articulador da aprovação e trouxe o centrão em peso. Janones, porque manteve ativo o "Exército do Lula", sempre pronto a atacar aqueles políticos que se coloquem contra teses de amplo apoio popular.
Boa relação com o Congresso sem se entregar
Lincoln Gakya: trunfo do governo para a Segurança PúblicaCrédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado
A votação marca o início da estratégia definida pelo presidente Lula para este seu último mandato: manter boa relação com o Congresso, mas sem se entregar ao puro toma lá, dá cá. Ele pretende usar como contrapeso às pressões políticas a chamada "voz das ruas", que tanto funcionou no segundo turno das eleições. A manutenção do exército de André Janene ativo é fundamental. Entre os 73 senadores que votaram pela aprovação, muitos formam fileira na oposição, mas fugiram das críticas da opinião pública.
O mercado que espere
O presidente só pretende divulgar o nome do futuro ministro da Fazenda na volta da viagem à Turquia e às Filipinas. No primeiro país, ele participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), nos dias 11 e 12 na cidade de Antália. De lá, Lula segue direto para Manila, onde participará, nos dias 14 e 15, da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Pode ser que deixe até para a volta do encontro com Donald Trump, esperado para a 21ª cúpula do G20 em Miami, nos dias 14 a 15 de dezembro.
Gakiya deve ser o primeiro anunciado
Se o promotor Lincoln Gakiya confirmar que aceita comandar o novo Ministério da Segurança Pública, ele deverá ser o primeiro nome anunciado de ministro do próximo mandato do presidente Lula. Na verdade ele assumirá neste mandato e fica após a transição. A expectativa no Palácio do Planalto é que Lula anuncie a criação do Ministério e seu chefe antes da viagem que fará para a Turquia e as Filipinas.
Haddad não está fora
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad perdeu a eleição em São Paulo, mas deve manter um bom cargo no próximo mandato de Lula. Ele tem sido consultado sobre nomes para assumir a pasta que já foi sua. Lula está preocupado com a falta de quadros no PT e acha que Haddad ainda tem eleições a disputar pelo partido.
Marina e Simone
O presidente também não pretende deixar ao relento Marina Silva e Simone Tebet. Marina é considerada um patrimônio com peso mundial na área de Meio Ambiente. Simone é mais problemática, porque precisará ser bancada na cota do PSB. Mas Lula é grato por sua fidelidade é que tê-la no governo de qualquer maneira.
Renan Calheiros
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) é outra situação excepcional para Lula. O presidente quer tê-lo no primeiro escalão, apesar de ele estar sem mandato. Renan tem como trunfos para ser indicado pelo partido a excelenete ligação com o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), e o fato de Renan filho ser senador.
Hugo Motta
Não Bastasse o fato ser presidente da Câmara, o deputado Hugo Motta tem outro forte motivo para ser cortejado pelo presidente Lula. Ele é do Republicanos, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, ao qual está filiado o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Lula precisa abrir uma cunha na sigla para futuras eleições.
PSD já é governo
O PSD presidido por Gilberto Kassab se mostrou, na votação da PEC da Segurança, tão à vontade com o governo quanto o MDB. Os dois partidos lideram o chamado centro democrático, que é próximo ao centrão, mas não aceita a lliderança do PP e do União Brasil. Já está nas contagens do presidente Lula para sua base parlamentar.
Ex-comunistas, mas
Curiosa é a situação do partido Cidadania, que um dia já foi o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Está absolutamente rachado. O grupo que faz oposição cerrada ao governo Lula assumiu a legenda. Uma oposição tão forte que alguns deles fizeram campanha para Flávio Bolsonaro. Hugo Motta articula a fusão com o Republicanos.
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