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No julgamento do STF, reflexões sobre o respeito

No julgamento do STF, reflexões sobre o respeito
Quase ao relento, jornalistas acompanham o julgamento no STF Crédito: Rudolfo Lago/Correio da Manhã

Em um dos momentos mais tensos dos vários momentos tensos da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira, o ministro André Mendonça pediu ao ministro Gilmar Mendes que o tratasse com respeito. E Gilmar Mendes disparou: "Quem não se dá ao respeito não merece respeito". Respeito é, de fato, a palavra que resume a sessão que julgou se deveria ou não ser aberto um inquérito para investigar as ações do ministro Alexandre de Moraes nas suas supostas relações com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os ministros se desrespeitaram desde os níveis mais rebuscados ("Isso é uma aleivosia pusilânime", disse, por exemplo, o presidente do STF, Edson Fachin, numa resposta a Flávio Dino) até os mais comuns ("isso é mentira!", disparou André Mendonça contra Moraes. Ou: "Isso é um Pixuleco eleitoral", como disse Gilmar Mendes sobre a ação de André Mendonça).


Uma temerária desorganização

Uma temerária desorganização
Dentro do STF, os ministros trocavam agressões Crédito: Gustavo Moreno/STF

Em determinado momento, Flávio Dino brinca com Edson Fachin e pergunta se ele tinha visto o vídeo do humorista Fábio Porchat. No vídeo mencionado, Porchat interpreta um jornalista, que dorme vestido, pronto para entrar no ar, sem aguentar mais a troca de decisões e de chumbo entre os ministros do Supremo nos últimos dias. Durante toda esta terça-feira os jornalistas sofreram. Toda essa situação de quinta-série de ministros da Suprema Corte se agredindo já demonstra temerária desorganização.

Tratamento dado à imprensa

Além da barafunda de um tribunal que deveria agir em conjunto e não age, a desorganização ficou flagrante na forma como se organizou a cobertura jornalística. Claramente, o Supremo Tribunal Federal estava assustado com a repercussão do que aconteceria durante a sessão. O que levou a uma exagerada situação de segurança, que teve como vítimas jornalistas devidamente documentados e credenciados. Às 7h, havia uma enorme filha de profissionais debaixo do sol de um dia que começava com enorme calor.

A tenda saiu voando

Os jornalistas tinham que passar por três diferentes barreiras até chegar ao terraço do STF, de onde podiam entrar ao vivo e fazer gravações. Ao lado, foi montada uma tenda com mesas para o trabalho. Quando houve o primeiro intervalo, no início da tarde, nuvens de chumbo coroavam fora o clima que se instalava dentro do STF. Começou a cair uma forte chuva. O vento fez com que a tenda montada saísse voando.

Segunda Turma

Neste momento, o STF se deu conta de que é uma imensa estrutura com várias salas. Disponibilizou, então, o plenário da Segunda Turma para que os jornalistas ficassem diante da chuva. A chuva parou. A tenda não voou de novo. Mas os jornalistas puderam, então, acompanhar de uma sala mais ampla, com banheiro e ar-condicionado.

Cães farejadores

Cães farejadores chegaram a ser acionados para investigar os materiais e pertences dos jornalistas. Ostentavam canhões antidrones e outros equipamentos pesados. Antes de ser disponibilizada a Segunda Turma, toda vez que se precisava ir ao banheiro, os jornalistas precisavam andar até o anexo. E, na volta, de novo sofrerem revista.

Suspeitos

Eram, assim, os jornalistas tratados como se fossem suspeitos. Quando, na verdade, as suspeitas pairavam era sobre boa parte dos dez ministros que, do lado de fora, discutiam fortemente entre si. A cada momento, havia um ministro exaltado para dizer que nada havia contra ele. Embora informações no sentido contrário aparecessem.

"Envergonhada"

Durante todo o julgamento, a ministra Cármen Lúcia permaneceu calada. Foi falar pela primeira vez um pouco antes das 18h. Para dizer: "Eu me sinto um pouco envergonhada". E completou: "Eu não me perdi e estou sentido a perdição". Cármen Lúcia lamentou não ter conseguido evitar que o STF chegasse onde chegou.

"Desculpas"

"Peço desculpas ao povo brasileiro", disse, então Cármen Lúcia. Durante todo o dia, ela assistiu calado a uma grossa troca de acusações e agressões entre os ministros, especialmente Gilmar Mendes na direção de André Mendonça. Acontecia o que o julgamento prenunciava. Uma guerra verbal entre os vetustos senhores do Supremo.

Menos a senhora

Somente a única senhora presente não participava da troca de agressões. Que parecia perplexa com o rumo das coisas, ao final de um dos dias mais tristes da história do Judiciário brasileiro. Uma sessão que pode de fato ser resumida pela palavra algumas vezes repetida por André Mendonça e Gilmar Mendes. Faltou respeito.