Nova líder diz que fará "as conversas necessárias"
29 de junho de 202600:01Redação
Senadora deverá se reunir com Alcolumbre na quartaCrédito: Waldemir Barreto/Agência Senado
Escolhida líder do Governo para substituir Jaques Wagner (PT-BA), a senadora Teresa Leitão (PT-PE) chegou ao cargo disposta a destravar a tramitação de pautas essenciais para o Planalto, como duas propostas de emendas constitucionais: a que estabelece novos parâmetros para a segurança pública e a que acaba com a jornada de trabalho de seis por um.
"Vamos conversar muito", disse a nova líder ao Correio Bastidores. Ela não revelou se, depois de sua nomeação, tivera algum contato com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Afirmou apenas que havia reservado passagem para desembargar ontem em Brasília e, lá, fazer pessoalmente "as conversas necessárias".
A primeira reunião com Alcolumbre está prevista para quarta, quando ele deverá receber também deputados do PT e do Psol para tratar da PEC da seis por um.
PL evita falar sobre Michelle
Valdemar: conversa com a presidente do PL MulherCrédito: Marcello Casal JrAgência Brasil
Muitos integrantes do PL têm evitado dar declarações públicas sobre o problema gerado pelos vídeos em que Michelle Bolsonaro fez duras críticas ao enteado Flávio Bolsonaro, pré-candidato do partido à Presidência.
Até o sempre falante Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, fugiu de perguntas no sábado, em Goiânia. Disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro o proibira de falar. Acrescentou que ue só daria entrevistas depois de se reunir com Michelle, o que está previsto para ocorrer amanhã.
Vídeo cearense
Mas, nos bastidores, parlamentares do partido fazem coro contra a atitude da mulher de Bolsonaro. Há um inconformismo generalizado pelo fato de Michelle ter atingido Flávio no momento em que pesquisas indicavam o fim de sua queda gerada por seu pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro.
No sábado, lideranças do PL trataram de divulgar para jornalistas e integrantes do partido vídeo em que o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE) faz duras críticas às falas da mulher de Jair Bolsonaro.
Crise com Ciro
Fernandes é um dos pivôs da crise com Michelle, já que deverá ser candidato ao Senado graças a um acordo que inclui o apoio do partido a Ciro Gomes (PSDB), que tentará o governo do Ceará.
A presidente do PL Mulher quer que o partido fique com Eduardo Girão (Novo) para o governo e lance a deputada federal Priscila Costa (PL) para o Senado.
Críticas e ofensa
No vídeo, Fernandes classificou a fala de Michelle de "infeliz", disse que ela ignora a realidade da política cearense e afirmou que Jair Bolsonaro autorizara a aliança pelo PL em torno da candidatura de Ciro Gomes. A mulher do ex-presidente sempre ressalta que Gomes fizera críticas pesadas ao seu marido, a quem chamara de "ladrão de galinhas".
PL dos EUA
O núcleo duro bolsonarista exilado nos EUA também reagiu de forma dura aos vídeos de Michelle. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro publicou vídeos de terceiros que criticam a atuação de sua madrasta — entre eles, um do também ex-deputado Alexandre Ramagem. Mas permanece a dúvida sobre o que Jair acha disso tudo.
Prioridade
Na avaliação de parlamentares do PL, a prioridade do ex-presidente, pelo menos nesta semana, é evitar ser mandado de volta para a Papudinha pelo ministro Alexandre de Moraes. Seus advogados frisam que a arma que estava em sua casa era legal; e parentes voltaram a falar da saúde de Jair, a enfatizar as suas de soluço.
Propag
Especialista em finanças públicas estaduais, o economista André Aranha diz que a adesão do Rio de Janeiro ao Propag (programa de renegociação de dívidas) vai melhorar, mas não resolver, a situação do estado. Ressalta que a dívida com a União é muito grande — R$ 210 bilhões — e que a economia fluminense permanece estagnada.
Saída do limbo
Para ele, com o Propag, o estado sai de um "limbo jurídico", deixa de depender de liminares do STF, consegue melhores condições de pagamento, com juros de 0%. Mesmo assim, terá obrigações pesadas, como a de quitação de 20% do total da dívida, o que pode ser compensado com a oferta de ativos e com recebimento de créditos da União.
Educação
Coordenador de análise fiscal do Centro Celso Furtado, o economista cita, como outro ponto positivo do Propag, o fato de o Estado trocar o pagamento de 1% da dívida por investimento do valor correspondente em educação. Ele critica, porém, a necessidade de contribuir para um fundo de equalização destinado a outros estados.
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