Rudolfo Lago

Flávio respira um pouco mais aliviado

Flávio respira um pouco mais aliviado
Flávio, Eduardo, Paulo Figueiredo e Trump: a foto Crédito: Instagram@flaviobolsonaro

Os adversários do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) certamente irão minimizar o feito. E a internet já está cheia de memes modificando a sua foto ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrarão que ele ficou por três horas com Trump, almoçou com ele e discutiu diversos assuntos. O encontro com Flávio não estava na agenda. Mas, segundo Flávio, os dois, além da foto, conversaram e ele pediu a Trump que classifique o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Para o comando da campanha de Flávio, a reunião foi um suspiro de alívio. Há uma constatação entre eles de que esta semana começou melhor para o candidato do PL à Presidência.

 

Efeito da bomba absorvido

A avaliação é que o efeito da bomba colocada no colo de Flávio Bolsonaro com o áudio no qual ele pede R$ 134 milhões para Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, já estaria mais absorvido. A primeira constatação nesse sentido veio com a pesquisa Nexus/BTG. Quando saiu a AtlasIntel na semana passada, a reação no meio de Flávio foi tão ruim que ele ameaçou contestar na Justiça. A Nexus/BTG apontou um declínio, mas já menor.

Nexus não variou muito

Nexus não variou muito
Nexus não indicou muita vantagem de Lula Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ao contrário das pesquisas da semana passada, a Nexus aponta variações que ficaram dentro da margem de erro. Na simulação de segundo turno, Lula subiu dois pontos, de 45% para 47%, e Flávio caiu dois pontos, dos mesmos 45% para 43%. Na pesquisa estimulada de primeiro turno, ambos tiveram uma queda de um ponto percentual. As simulações de segundo turno com Ronaldo Caiado, do PSD, e com Romeu Zema, do Novo, mostram crescimento das intenções de voto em Lula. Ou seja, as alternativas à direita contra Lula não avançam.

Foto para ser trunfo

Quando Lula foi se encontrar com Trump há três semanas na Casa Branca, foi uma ducha de água fria para Flávio. Ducha que ficou intensamente mais geladas com os desdobramentos do caso Master. A foto obtida será usada como trunfo. Mal ou bem, a ideia é demonstrar a partir dali uma aproximação ideológica com Trump, que Lula está longe de ter ou mesmo perseguir.

Chefe de Estado

O argumento a ser usado vai na linha de que Lula e Trump são chefes de Estado. Ainda que discordem os presidentes, Estados Unidos e Brasil têm interesses recíprocos quanto aos países. E, portanto, Trump teria de se reunir e discutir esses interesses dos dois países com Lula. E vice-versa.

Projetos

Trump e Flávio Bolsonaro seriam partes de um mesmo projeto político de direita. Em nome desse projeto, se apoiariam mutuamente. Interessaria a Trump colocar a direita no comando do principal país da América do Sul. Da mesma forma como tentou manter Viktor Orbán na Hungria, embora lá tenha falhado.

Pose

Uma foto posada. Nenhum comentário posterior de Trump. Ele sentado, e Flávio Bolsonaro de pé. Mas é o que ele conseguiu obter. A argumentação é que Trump abriu um espaço na agenda para receber um aliado no meio da administração de questões atribuladas que envolvem a crise no Oriente Médio.

Tempo

Há informações de que foi um encontro rápido. Outras de que durou mais de uma hora. O tempo exato não foi divulgado. Agora, é verificar de que forma os próximos fatos irão repercutir. Como os eleitores irão interpretar o encontro de Flávio com o presidente dos EUA. Ao mesmo tempo, se não surgirão novos fatos na crise com o Master.

Valdemar

E a turma de Flávio precisa conter a língua. A fala do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que Flávio foi à casa de Vorcaro quando ele já usava tornozeleira para lhe cobrar o dinheiro devido não pegou nada bem. Não dá para dizer que ele àquela altura nada sabia sobre os rolos e a origem do dinheiro.

Investigação

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) entrou com uma ação pedindo à Polícia Federal que investigue o que disse Valdemar. O argumento de Flávio é que era uma conversa privada para um investimento privado. Mas a tornozeleira já indicava claramente ao senador que a grana vinha de créditos falsos de aposentados.