Daniel Vorcaro

Pai de Daniel Vorcaro diz que era rejeitado pelo filho nos negócios do Banco Master

Em carta enviada a Mendonça, Henrique Vorcaro afirma que não participava dos negócios do banco e que sofria com o distanciamento profissional do filho

Pai de Daniel Vorcaro diz que era rejeitado pelo filho nos negócios do Banco Master
Henrique Vorcaro e Daniel Vorcaro estão presos Crédito: Reprodução

O empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou ao ministro André Mendonça (STF) que era rejeitado pelo filho nos negócios do Banco Master. Preso no âmbito das investigações sobre a instituição financeira, Henrique disse que não participava das atividades do banco e que sofria com o distanciamento profissional de Daniel.

A declaração consta de uma carta escrita por Henrique na prisão e encaminhada ao STF nesta terça-feira (22/9). Na correspondência, o empresário nega envolvimento nas irregularidades investigadas pela Polícia Federal e pede a revogação de sua prisão preventiva.

"É importante os Srs. saberem que Daniel não tratava nada de Banco ou de negócios dele comigo, até me rejeitava. Talvez eu seja a pessoa que ele menos falava de seus negócios. Fiquei sabendo destes assuntos por notícias da mídia", escreveu Henrique.

O empresário também afirmou que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel e outro investigado no caso Master, não compartilhava informações sobre seus negócios com ele. Segundo Henrique, pessoas que mantinham relações comerciais com Daniel em Belo Horizonte, São Paulo e Brasília poderiam confirmar que ele não participava das atividades do banco.

"Todos sabem que eu era uma pessoa totalmente não bem-vinda no Banco ou em qualquer coisa do Daniel. Isso é a verdade e a realidade. Para mim era uma tristeza, sofria muito com esta rejeição", afirmou.

Apesar do distanciamento profissional, Henrique disse que mantém uma boa relação pessoal com o filho. Segundo ele, Daniel trabalhou em suas empresas dos 15 aos 33 anos, quando decidiu seguir uma trajetória independente.

Henrique também afirmou que passou a receber mais respeito do filho após realizar negócios que teriam gerado lucros para o Banco Master, incluindo uma operação envolvendo a Hapvida.

O empresário argumentou que não pode ser associado às investigações sobre o Master apenas por ser pai de Daniel Vorcaro. "Até entendo os holofotes sobre o Caso Master, mas não queiram me arrastar para dentro disso só porque eu sou pai do Daniel. Tenho muitos negócios, todos honestos. Preciso da minha reputação e dignidade restauradas", declarou.

Pedido de liberdade

Na carta, Henrique também contestou as suspeitas de envolvimento com o grupo conhecido como "A Turma", investigado pela Polícia Federal.

O empresário afirmou que seus contatos com Marilson Roseno da Silva, outro investigado no caso, estavam relacionados a negócios imobiliários e que desconhecia eventuais atividades ilícitas praticadas por seus parceiros comerciais.

Segundo Henrique, as cobranças financeiras identificadas pelos investigadores diziam respeito à antecipação de pagamentos relacionados a empreendimentos imobiliários.

Ao encaminhar a correspondência ao STF, a defesa de Henrique destacou que ele está preso há mais de 90 dias e que ainda não foi ouvido pelas autoridades responsáveis pela investigação.