O empresário Fábio Faria se manifestou ao Correio da Manhã sobre a relação com Daniel Vorcaro e a indicação do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes (STF), para atuar junto ao Banco Master.
Em conversa por telefone com a coluna, Faria negou ter incorrido em qualquer irregularidade e disse que não tinha conhecimento de que o contrato estava orçado em R$ 131 milhões.
Ministro das Comunicações durante o governo Bolsonaro, Faria também reagiu a críticas que recebe de lideranças do campo conservador por conta da relação com Moraes.
Por que o senhor recomendou especificamente o escritório de Viviane Barci de Moraes a Vorcaro?
A sugestão se deu no contexto de um processo judicial que Daniel enfrentava no Tribunal de Justiça de São Paulo, que, na época, no final de 2023, ele disse que era o único processo que tinha e que não havia nenhum outro. À época, quando ele me perguntou sobre o escritório, eu respondi que o conhecia e que tinha uma boa avaliação sobre sua atuação. Não participei de nenhuma reunião com a banca, não fiz avaliação jurídica do processo, até porque não sou advogado, e muito menos sobre os honorários. Na minha vida privada, sugeri vários escritórios de advocacia em outras ocasiões, alguns contratados, outros não, o que é absolutamente normal, e nunca soube de valores de nenhum deles, nem deste nem dos outros, porque não cabe a mim.
Nas mensagens, consta que o senhor recomendou que o contrato tivesse duração de três anos. Por que o senhor se envolveu nessa questão?
Fui consultado após o próprio Daniel me dizer que havia fechado um contrato de longo prazo, como é comum em contratos advocatícios. Perguntado, pontualmente, se o prazo seria de quatro ou de três anos, respondi que poderia ser de três, como opinaria qualquer pessoa a quem se pede uma referência. Minha participação se resumiu a essa opinião.
O senhor chegou a participar das tratativas sobre o valor do contrato, que chegou a R$ 131 milhões?
A minha participação foi apenas sugerir o escritório. Em nenhum momento tratei sobre valores ou participei de qualquer tratativa do contrato. Isso ficou apenas entre as partes. Não fui parte nisso. Já trabalhei em outras instituições nas quais indiquei escritórios de advocacia e negócios foram fechados. Nessas outras ocasiões, tampouco fui informado sobre valores.
Qual foi o seu papel na aproximação de Vorcaro com Moraes? Quando o senhor conheceu Vorcaro e quando se aproximou de Moraes?
São relações de momentos completamente diferentes. Minha relação com o ministro Alexandre de Moraes vem da minha trajetória política e a mantive depois que deixei a vida pública, como mantive tantas outras. Daniel Vorcaro, conheci no final de 2023, quase um ano após deixar o governo, no contexto da minha atuação profissional na iniciativa privada (relações institucionais do BTG Pactual), como já esclarecido publicamente.
Não o conheci, nem a ninguém do banco, enquanto exerci funções públicas, e não tive com ele qualquer relação em razão de cargo. Era um empresário em ascensão, conhecido no mercado financeiro, com relações próprias no mercado e em Brasília. Compartilhei o contato e houve encontros de natureza social, e, para um caso específico, sugeri o escritório já mencionado. Não há nisso qualquer irregularidade.
No campo político, algumas lideranças de direita criticam o senhor pelo fato de ter sido ministro de Bolsonaro e, depois, ter se aproximado de Moraes e Lula. Como reage a essas críticas?
Fui ministro do presidente Bolsonaro em 2020. Além da missão de implementar o 5G, cheguei em junho, no auge de uma crise em que os Poderes estavam em conflito, e parte do meu trabalho era justamente a interlocução com a imprensa, o Congresso e o Judiciário.
Conheci o ministro Alexandre de Moraes antes do governo Bolsonaro e, durante o próprio governo, tive interlocução com ele em diferentes momentos, para amenizar conflitos institucionais, assim como fizeram outros ministros.
Deixei o governo em dezembro de 2022 e fui para a iniciativa privada, onde preservo as relações que construí na vida pública, nos diversos campos políticos.Em relação ao presidente Lula, é importante corrigir uma informação: não fiz qualquer aproximação entre ele e o ministro Alexandre de Moraes. O episódio a que provavelmente se referem foi um evento institucional, com convites institucionais e a presença de autoridades de diversas instituições (a inauguração do canal de notícias SBT News). Não houve qualquer intermediação de minha parte.
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