Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta que Daniel Vorcaro atribuiu ao ministro Alexandre de Moraes (STF) participação nas articulações de um evento em Londres, incluindo a sugestão para que o ex-presidente Michel Temer participasse do encontro. Durante a viagem, o dono do Banco Master também disse a um jornalista que Moraes havia pedido que uma matéria mencionasse uma reunião privada de três ministros do STF com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
As conversas foram encontradas no celular de Vorcaro e constam do relatório cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do STF.
As mensagens mostram Vorcaro tratando da organização do evento em Londres. Em 19 de abril de 2024, o banqueiro afirmou que preparava um “evento super exclusivo com Alexandre de Moraes em Londres”. Em meio às tratativas, registrou ainda que “Alexandre sugeriu participação do Temer”, em referência ao ex-presidente.
A menção a Temer aparece em um conjunto de diálogos nos quais Moraes é citado em discussões sobre participantes e programação. A PF encontrou, por exemplo, conversas em que Vorcaro afirmava precisar aprovar a lista de convidados com “Alexandre”.
Pedido sobre Tony Blair
Durante a viagem, em 26 de abril de 2024, Vorcaro enviou uma mensagem a um contato identificado como “Geraldo Brazil Journal”. Nela, atribuiu a Moraes um pedido relacionado ao conteúdo de uma matéria:
“Alexandre pediu pra colocar na matéria que os 3 ministros do STF se reuniram privativamente com o ex-primeiro ministro.” Na sequência, a conversa faz referência a Tony Blair.
O material apreendido mostra ainda que a organização do encontro discutia questões relacionadas à presença de ministros do STF. Em conversa anterior à viagem, um funcionário de Vorcaro tratou da disponibilização de veículos para “ministros mais sensíveis”, citando “Alexandre, Toffoli, etc”.
O relatório registra as declarações encontradas nas mensagens de Vorcaro, mas não afirma ter confirmado diretamente com Moraes que ele sugeriu a participação de Temer ou fez o pedido relacionado à matéria sobre Tony Blair. As duas atribuições ao ministro partem das conversas analisadas pela PF.
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