Um investigado por suspeitas de corrupção e obstrução de investigações comprou um imóvel no mesmo prédio em que morava a juíza responsável por julgá-lo e teria promovido o monitoramento de magistrados e outras autoridades. As informações constam de decisão do ministro Dias Toffoli (STF) que manteve a prisão preventiva do investigado.
Identificado na decisão como Alan, ele é alvo de apurações relacionadas às operações Poeira Vermelha, Rejeito e Contrassabotagem, em Minas Gerais. As investigações envolvem suspeitas de violação de sigilo funcional, embaraço de investigação de organização criminosa, corrupção, ocultação patrimonial e outros crimes.
Ao analisar o caso, Toffoli reproduziu trechos de uma decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) que descrevem uma sequência de episódios atribuídos ao investigado. Segundo o documento, em agosto de 2023, cerca de quatro meses após o recebimento de uma denúncia contra ele, Alan adquiriu um imóvel localizado no mesmo edifício em que residia a magistrada responsável por seu julgamento. Ela não foi identificada nos autos.
A decisão afirma ainda que, durante os anos de 2024 e 2025, o investigado teria promovido um "levantamento sistemático de dados de autoridades". Entre os alvos citados estão os magistrados Willian Ken Aoki e Fabiano Verli. Segundo o TRF-6, teriam sido empregados métodos semelhantes aos identificados anteriormente em relação à juíza da 3ª Vara Federal de Belo Horizonte.
O histórico apontado pela Justiça inclui outros episódios. Em 2020, no contexto da Operação Poeira Vermelha, Alan teria obtido previamente informações sobre uma diligência e, a partir desse conhecimento, frustrado o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.
Já entre agosto e setembro de 2025, ele teria encomendado serviços de monitoramento físico, obtenção clandestina de dados sigilosos e até a realização de uma "blitz" clandestina com participação de policiais.
Para o TRF-6, a sequência dos fatos indicaria que os episódios não seriam isolados, mas parte de um modo de atuação "reiterado e estruturado". O tribunal considerou que haveria risco concreto de repetição das condutas investigadas.
A decisão também aponta suspeitas de tentativa de interferência nas investigações. De acordo com os autos, Alan teria determinado a destruição de documentos relacionados às apurações e promovido o monitoramento de uma testemunha que colaborou com as autoridades. Magistrados e um interventor judicial nomeado para uma empresa ligada ao grupo investigado também teriam sido monitorados.
Ao manter a prisão, Toffoli considerou que havia obstáculos processuais para a análise do habeas corpus pelo STF. O ministro também destacou que a decisão que manteve a prisão levou em consideração a gravidade concreta das condutas atribuídas ao investigado e o risco de reiteração.
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