EUA

Governo Trump investe R$ 3,9 bilhões em projeto de terras raras no Brasil em ofensiva contra China

Investimento faz parte de estratégia de Washington para reduzir domínio chinês sobre minerais estratégicos

Governo Trump investe R$ 3,9 bilhões em projeto de terras raras no Brasil em ofensiva contra China
Governo dos EUA anunciou investimento bilionário em projeto de terras raras no Brasil Crédito: Emily J. Higgins/The White House

O governo de Donald Trump anunciou um investimento de US$ 750 milhões, cerca de R$ 3,9 bilhões, em um projeto de terras raras no Brasil. A iniciativa faz parte de uma ofensiva dos Estados Unidos para reduzir a dependência da China no fornecimento de minerais estratégicos usados, entre outras áreas, na fabricação de armamentos.

O aporte foi anunciado nesta segunda-feira (24/8) pelo Departamento de Guerra dos EUA, em documento obtido pela coluna, e será destinado a apoiar um acordo para a compra de carbonatos mistos de terras raras produzidos pela Serra Verde no Projeto Pela Ema, localizado no Norte do Brasil. Segundo o governo norte-americano, a parceria busca estabelecer uma cadeia segura de fornecimento de minerais considerados essenciais para a defesa e para a segurança econômica dos EUA.

O próprio governo Trump afirma que a iniciativa pretende enfrentar a dependência norte-americana da China. Entre os minerais produzidos no Brasil e citados no comunicado estão disprósio, térbio, neodímio e praseodímio.

"Estamos dando um passo decisivo para quebrar o quase monopólio de nossos adversários sobre elementos de terras raras", afirmou Mike Cadenazzi, secretário-assistente de Guerra para Política da Base Industrial. Segundo ele, o acordo permitirá acesso de longo prazo a materiais necessários para a produção de sistemas de armas de nova geração.

Os minerais extraídos no Brasil são empregados na fabricação de ímãs de alta potência e têm aplicações militares consideradas estratégicas. O Departamento de Guerra cita o uso desses materiais em submarinos nucleares, caças, satélites, mísseis guiados, navios de combate e drones. Eles também são utilizados nos setores de energia, transporte, aeroespacial e eletrônicos.

Os US$ 750 milhões fazem parte de uma estrutura mais ampla, de US$ 1,55 bilhão (R$ 8 bilhões), mobilizada pelo governo norte-americano. O pacote inclui ainda um compromisso de compra de US$ 300 milhões da Defense Logistics Agency (DLA), agência responsável pela logística das Forças Armadas, e outros US$ 500 milhões provenientes de um grande banco.

O movimento ocorre em meio à tentativa de Washington de construir uma cadeia de produção de terras raras que não dependa da China. O Departamento de Guerra afirma expressamente que o projeto brasileiro permitirá aos EUA contornar o domínio chinês sobre a cadeia de suprimentos desses minerais.