O STF distribuiu para a ministra Cármen Lúcia a interpelação judicial apresentada por Eduardo Tagliaferro contra o ministro Alexandre de Moraes. A medida pede esclarecimentos sobre as declarações feitas de que um réu havia "fugido para a Europa" e que seus advogados teriam deixado o caso.
Tagliaferro é ex-assessor de Moraes no TSE e responde a uma ação penal pelo vazamento de informações sigilosas. Atualmente, ele vive na Itália.
Na petição, Tagliaferro sustenta que as declarações de Moraes faziam referência direta ao caso envolvendo o ex-assessor e continham informações falsas.
Durante o julgamento, Moraes afirmou: "Pode o réu se beneficiar da própria torpeza? E nós aqui na turma decidimos semana passada, caso extremamente semelhante, um réu brasileiro que pediu para os advogados renunciarem e ele... fugiu para a Europa. (...) Ora, processo penal não é palhaçada".
Segundo a ação, Tagliaferro reside legalmente na Itália desde abril de 2025, antes mesmo do oferecimento da denúncia contra ele, razão pela qual afirmam que jamais "fugiu" ou foi considerado foragido.
Os advogados também contestam a afirmação de que teriam renunciado à defesa. De acordo com a petição, ambos foram destituídos por decisões de Moraes.
Na interpelação, eles afirmam que as declarações criaram uma "narrativa faticamente inverídica" e sustentam que as referências atingiram a honra de Tagliaferro e de seus defensores.
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