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Coluna Magnavita | Os novos mistérios que rondam o Jaé da Prefeitura do Rio e um reequilíbrio financeiro de R$ 130 milhões

Coluna Magnavita | Os novos mistérios que rondam o Jaé da Prefeitura do Rio e um reequilíbrio financeiro de R$ 130 milhões
Catracas com Jaé na capital fluminense Crédito: Conrado Portella/Prefeitura

Segredo guardado a sete chaves pela Prefeitura do Rio, o pedido de reequilíbrio econômico-financeiro feito pelo Consórcio Bilhete Digital — grupo responsável pela gestão e operação do bilhete de transporte Jaé —, ao que tudo indica, foi aceito sem contestação e em tempo recorde pelo Executivo municipal.

Apesar da promessa feita publicamente de que não haveria aporte de recursos da Prefeitura no sistema de bilhetagem implementado pelo ex-prefeito Eduardo Paes, a realidade parece ser outra, para prejuízo da população carioca.

Ao solicitar à Prefeitura do Rio, precocemente, o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, o Consórcio Bilhete Digital estava de olho em uma bolada extra — e considerável —, em torno de R$ 130 milhões. Nada mal...

E falou mais alto a vontade do Governo Municipal do Rio – e ninguém consegue entender bem o motivo – de dar mais uma mãozinha para a concessionária, que vem acumulando prejuízos pelos erros de planejamento e gestão do cartão Jaé. 

Curiosamente, o consórcio sempre recebeu total apoio do time do ex-prefeito Eduardo Paes, mesmo diante das seguidas falhas na implementação do cartão eletrônico e nos múltiplos adiamentos, até que fosse finalmente lançado.

As reclamações de passageiros sobre desaparecimento de créditos, falhas na integração tarifária e instabilidade no aplicativo, que são uma realidade, foram deixadas de lado pela Prefeitura do Rio. Tudo a respeito do Jaé é tratado ali, sob segredo.

É no mínimo estranho que a mesma Prefeitura, que reclamava da “caixa-preta” da bilhetagem eletrônica do transporte público do Rio, tenha criado a sua própria caixa-preta, impedindo que a população pagadora de impostos e os órgãos de fiscalização e controle tenham acesso aos bastidores do Jaé.

O TCM-RJ (Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro) deveria colocar uma lupa nesta equação financeira, que poderia incluir uma compensação com a segunda parcela da outorga (R$ 62 milhões) que ainda não foi paga. “Estariam fritando o porco com a sua própria banha” , diz um especialista do TCM-RJ.