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Coluna Magnavita | O El Niño será o grande protagonista das eleições. O pior é que ninguém percebeu

Coluna Magnavita | O El Niño será o grande protagonista das eleições. O pior é que ninguém percebeu
Presidente Lula Crédito: Reuters/Folhapress

O tic-tac da bomba relógio que está no colo da campanha de Lula está soando cada vez mais alto. Nada relacionado com o Careca do INSS ou Lulinha, já que as vacinas estão sendo preparadas. É algo bem mais forte e vai ser o fator decisivo nesta eleição.-0-
O que tem apavorado os marqueteiros Lulistas são os efeitos devastadores do El Niño, que está oficialmente configurado no Brasil com 81% de probabilidade de atingir a categoria "muito forte", e seus primeiros impactos graves começam a se consolidar justamente nas próximas duas semanas (meados de agosto de 2026).

Ele vai ocorrer exatamente no período da campanha e gerar as manchetes das oito semanas que compreenderão o período eleitoral. Não é só a campanha presidencial que poderá ser afetada. No mesmo balaio, as campanhas para governadores, principalmente os que buscam a reeleição.

De acordo com as notas técnicas emitidas conjuntamente pelo Inmet, Inpe e Cemaden, os efeitos dividem o país de forma extrema a partir de agora.

No Norte e Nordeste a umidade despenca acentuadamente nas próximas duas semanas. O volume de chuva cai abaixo da média histórica, acelerando a descida dos níveis dos rios amazônicos e elevando os focos de calor.

No Centro-Oeste e Sudeste a instalação de um forte bloqueio atmosférico. A previsão é de ondas de calor atípicas para agosto, umidade do ar em níveis críticos e atraso nas chuvas de primavera necessárias para o plantio da nova safra.

No Sul, o caminho inverso. A região sofre com o avanço de frentes frias bloqueadas e a passagem de um ciclone extratropical, trazendo temporais severos, vendavais e volumes excessivos de chuva em curtos períodos.

Se o fenômeno mantiver o ritmo atual, a anomalia de temperatura no Oceano Pacífico pode ultrapassar os 2,5°C até o final do ano (podendo alcançar picos alarmantes de 3,5°C). O pior cenário projetado por climatologistas desenha uma crise socioeconômica e ambiental sem precedentes baseada em três pilares simultâneos.

O primeiro é Colapso Logístico e Humanitário na Amazônia. Com isolamento Total: Repetição e agravamento da seca histórica recente, com rios vitais (como o Rio Negro e o Solimões) secando a níveis que impeçam completamente a navegação de grande porte. com o desabastecimento de Comunidades ribeirinhas totalmente sem acesso a água potável, remédios e alimentos, dependendo exclusivamente de pontes aéreas.

A mais visível e com impacto midiático, usando anteriormente contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e com atenção da imprensa internacional, serão as queimadas descontroladas: Incêndios florestais de proporções gigantescas consumindo áreas nativas degradadas e cobrindo capitais como Manaus e Porto Velho com fumaça tóxica por semanas. O mesmo cenário no Pantanal. Votos serão incinerados juntos com os incêndios e vai queimar a imagem do governo Lula.

No Sul a destruição de infraestrutura, com chuvas contínuas e torrenciais na bacia do Rio Guaíba e do Rio Uruguai, provocando enchentes severas e desalojando centenas de milhares de pessoas em um solo que já não tem capacidade de absorver mais água.

No Sudeste, a ruptura de encostas e bloqueios crônicos de rodovias federais, isolando o escoamento de produtos do Sul para o restante do país.

No agronegócio a quebra da Safra 2026/2027 com o atraso severo das chuvas no Centro-Oeste combinado com o solo encharcado no Sul pode gerar uma perda massiva na produção de grãos (soja e milho).

O sudeste pode ser o protagonista de uma crise energética: Com os rios do Norte secos e a evaporação acelerada no Sudeste, o Brasil seria forçado a queimar combustíveis fósseis (térmicas) em capacidade máxima, resultando em contas de luz com bandeira vermelha duradoura e inflação generalizada de alimentos nas prateleiras.

O eleitor vai gerar uma Punição ao "Improviso”. Candidatos à reeleição ou apoiados pelas atuais gestões (tanto o Presidente quanto governadores do Sul e do Norte) serão julgados diretamente pela velocidade e eficácia da ajuda humanitária. Demoras na liberação de verbas, falta de cestas básicas ou falhas em resgates geram forte desgaste imediato.

A briga eleitoral será com oposição usando as imagens de destruição para apontar "omissão", enquanto o governo tentará transformar a entrega de auxílios e o plano de R$ 1,3 bilhão em vitrine de eficiência. Em declaração recente, o presidente Lula afirmou que o país "nunca esteve tão preparado" para lidar com uma adversidade climática dessa magnitude. Resta saber se este otimismo funcionará.

A ironía é que o El Niño tem tudo para ser o grande protagonista desta eleição. Guardem esta coluna e confiram depois do segundo turno. Torcemos para que as previsões pessimistas dos especialistas estejam erradas.