A Vetor Arrow divulga nova pesquisa do seu acompanhamento contínuo das eleições 2026 no Estado do Rio de Janeiro. O levantamento registra citações espontâneas — o entrevistado responde livremente, sem apresentação de lista de nomes — em 20 estratos que cobrem capital e interior. Estas notas descrevem os resultados observados e as variações entre as rodadas de junho e julho, sem juízo de valor sobre candidatos, partidos ou campos políticos.
Governo do Estado
Duas rodadas em cinco semanas contam a mesma história com nitidez crescente: Eduardo Paes é, hoje, o único nome com presença estadual real na disputa pelo Palácio Guanabara. Ele lidera a lembrança espontânea nas 20 áreas em que o estado foi dividido, nas duas medições, e oscilou de 22,9% para 23,8% — um patamar raro para modalidade espontânea a quase três meses da eleição, quando o eleitor precisa puxar o nome da memória, sem lista. A geografia do seu voto, porém, é assimétrica: na capital, o ex-prefeito beira um terço das menções (31,8%); no interior, fica na casa dos 18%. É na Baixada profunda, na região Serrana e no Norte do estado que Paes ainda é mais reputação do que preferência enraizada — e é exatamente ali que a eleição estadual costuma ser decidida.
O movimento mais relevante da rodada de julho é de Douglas Ruas, que cresceu de 3,8% para 5,0% e consolidou um segundo lugar que em junho ainda era disputado. O crescimento vem do interior — onde marca 6,0%, com pico expressivo no Leste Fluminense (11,8%) —, ou seja, precisamente no flanco em que Paes é mais fraco. Ainda é uma distância de quase vinte pontos, mas a direção importa: Ruas é o único nome do campo que se move para cima de forma consistente entre as duas medições.
Anthony Garotinho segue vivo onde sempre foi forte — Norte Fluminense (8,0%) e Noroeste —, um voto de legado, territorial e envelhecido, que não mostra capacidade de expansão para a capital. Já o dado politicamente mais duro da série é o do governador Cláudio Castro: de 0,8% para 0,1% de lembrança espontânea. Um governador em exercício praticamente ausente da memória eleitoral do próprio estado é um fato político em si — indica capital político não transferível e deixa o campo da direita sem barco na disputa estadual. Wilson Witzel e os demais nomes do espectro conservador aparecem em níveis residuais.
Com 48% do eleitorado sem citar nome algum — patamar estável entre junho e julho —, há um oceano de eleitores não mobilizados. A eleição para governador, na prática, ainda não começou para metade do Rio.
Senado Federal
São duas cadeiras em disputa em 2026, e a leitura precisa ser feita com essa lente. Benedita da Silva repete com exatidão os 8,5% de junho e lidera em 18 das 20 áreas — estabilidade que, em espontânea, é sinal de voto de reconhecimento consolidado: o eleitorado petista e a memória afetiva de décadas de vida pública sustentam um piso que não oscila. Sua força é nitidamente urbana e carioca, com picos na Grande Tijuca e na zona Litorânea da capital (ambas em 14,1%). Se a lógica de chapa Lula-Paes se confirmar no estado, Benedita larga como favorita natural à primeira vaga.
A disputa real é pela segunda cadeira, e nela o dado mais interessante é territorial: Marcio Canella transformou a Baixada Fluminense em fortaleza — lidera a Baixada I (8,3%) e a Baixada II (13,4%), superando Benedita nas duas. É o padrão clássico do voto de máquina municipal convertido em recall majoritário: densidade absoluta em um território populoso, presença rarefeita no resto do estado (3,6% no total). Para uma eleição de duas vagas, em que o voto se fragmenta, uma fortaleza demográfica como a Baixada é um ativo real — a questão de Canella é aritmética: quanto do estado ele alcança além dela.
Dois movimentos de julho merecem atenção. Pedro Paulo subiu de 0,2% para 0,7% — pequeno em magnitude, mas politicamente legível: é a máquina de Paes começando a organizar a vaga do Senado, e o vice natural do paesismo tende a crescer junto com a campanha do titular. No sentido oposto, Romário caiu de 1,1% para 0,4% — para um senador em exercício e ex-ídolo nacional, perder mais da metade da lembrança espontânea em um mês é sinal de desgaste real e acende luz amarela sobre a reeleição.
Câmara dos Deputados
Lindbergh Farias sustenta a primeira posição com um perfil raro no ranking: nenhuma região concentra mais de 14% de suas menções. É o retrato de um nome estadualizado, com capilaridade em capital e interior — e, ao mesmo tempo, sem um reduto denso que funcione como reserva. A leve retração entre rodadas (-6%) não ameaça a liderança acumulada, mas indica que o crescimento dos concorrentes virá de fora do seu território, não de dentro.
O movimento de Glauber Braga ( 75%) tem assinatura diferente: o crescimento veio espalhado pelo estado, sem depender de uma única praça — padrão típico de onda de visibilidade, e não de estrutura local. O contraste dentro da própria Federação PSOL REDE é o dado mais intrigante da rodada: enquanto Glauber dispara, Pastor Henrique Vieira recua 42% e cai duas posições, com sobreposição territorial relevante entre os dois no Leste Fluminense. A federação segue com dois nomes no top 4, mas a distribuição interna da atenção mudou de mão em um mês.
O PL emplaca três nomes entre os oito primeiros com uma geografia quase sem sobreposição: Wladimir Garotinho concentra 68% de suas menções no Norte Fluminense, Jorge Miranda tem 79% na Baixada 2 e Carlos Jordy, 34% no Leste Fluminense. É o desenho clássico de bancada territorializada — cada nome dono de uma praça. A escalada de Jorge Miranda (seis posições, 74%) é crescimento de estrutura local, quase todo dentro do próprio reduto; a queda de Jordy (-28%, três posições) merece acompanhamento nas próximas rodadas.
Dr. Luizinho ( 31%) confirma o padrão de consistência: metade de suas menções vem da Baixada 2, seu reduto histórico, com crescimento sólido rodada a rodada. Gutemberg Reis (MDB) tem perfil análogo na Baixada 1, onde concentra 54% das citações. Luiz Lima (NOVO) e Jandira Feghali fecham o top 10 estáveis, cada um com distribuição própria — ele no litoral, ela repartida entre Leste, Serrana e Baixada.
Assembleia Legislativa
Seis dos dez primeiros do ranking estadual têm seu principal reduto na Baixada Fluminense — o dado estrutural da disputa pela Alerj. Rosenverg Reis (MDB) lidera com 55% de suas menções na Baixada 1, espelhando no estadual exatamente o território onde Gutemberg Reis, do mesmo MDB, é forte no federal: uma dobradinha territorial que tende a se retroalimentar na campanha.
O salto de Renato Miranda (PL) — menções dobradas e cinco posições ganhas — vem 74% da Baixada 2, a mesma praça em que Jorge Miranda cresce no federal pelo mesmo partido. O paralelo territorial e partidário entre os dois movimentos é o padrão típico de campanhas casadas federal-estadual, e é o fenômeno a observar na região.
A Federação União Progressista coloca três nomes no top 6 (Rafael Nobre, Felipinho Ravis e Carlinhos BNH), todos com centro de gravidade na Baixada — Ravis com impressionantes 82% das menções na Baixada 2. Para a federação, a concentração é boa notícia na conta proporcional; para os candidatos, significa disputa direta pelo mesmo eleitor. Na outra ponta do mapa, Jair Bittencourt (PL) é o retrato do reduto isolado: 73% das menções no Noroeste Fluminense — cai três posições na rodada, mas sobre uma base fiel e pouco disputada. Flávio Serafini segue como o nome do Leste Fluminense (42% das menções), André Ceciliano cresce 75% ancorado no Centro-Sul, André Correa domina seu espaço no Médio Paraíba (60%) e Léo Vieira Filho fecha o grupo com base na Baixada 1.
Metodologia
Pesquisa foi realizada por telefonia (URA/IVR) com captação espontânea e transcrição auditada, em 20 estratos do Estado do Rio de Janeiro (10 áreas da capital e 10 regiões do interior), com ponderação pelo eleitorado TSE.
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