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Coluna Magnavita | Andrei Rodrigues vira o alvo da ira do PT

Coluna Magnavita | Andrei Rodrigues vira o alvo da ira do PT
Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O caso do senador Jaques Wagner é mais grave do que se pode imaginar ou prever. Ele era um desastre anunciado, como o Correio da Manhã apontou em três manchetes de primeiras páginas nos meses de janeiro e fevereiro de 2026.

Macaque in the trees
Os 'babalorixas' do Palácio do Planalto ganharam um 'orixá' protetor no dia da lavagem do Bonfim - 19/01/2026 | Foto: Reprodução

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Reprodução | Foto: Reprodução

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O poder explosivo de Augusto Lima que pode abalar os babalorixás da política baiana - 18/02/2026 | Foto: Reprodução

Quem conhece o PT sabe o clima de "barata voa" que se formou nesta quinta, 18 de junho, uma semana antes das fogueiras juninas. Foi um dia de muito dedo na cara, acusações e o alvo predileto dos petistas foi o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues. Descobriram que, como na fábula holandesa do garotinho com o dedo no buraco da represa, o moço havia viajado para o exterior e a represa estourou. Alagou um dos maiores redutos eleitorais de Lula, já que a Bahia e o Ceará são os fiéis da balança da reeleição petista.

A imagem que mais irritou os petistas foi a foto dos 49 montinhos de mil dólares cada, arrumados artisticamente para parecer uma fortuna, que foi divulgada horas depois da operação da PF.

Quando Andrei Rodrigues assumiu, ele foi claro: só tinha uns cinco nomes de confiança. A Polícia Federal estava dividida entre os lavajatistas e os bolsonaristas. Ficou demonstrado que o diretor-geral não coordena a casa. Os três ministros da Justiça do governo Lula, na ordem de posse, Flávio Dino, Ricardo Lewandowski e o atual, o também baiano Wellington Lima, indicado por Jaques Wagner e Rui Costa, tiveram problemas com Andrei e sua linha direta com Lula.

A ala política do governo e o próprio Ministério da Justiça cobraram duramente Andrei Rodrigues pelo fato do Palácio do Planalto não ter sido alertado sobre os mandados de busca e apreensão contra o líder do governo. O diretor-geral manteve a postura de que a PF agiu sob estrita ordem judicial de sigilo emitida pelo STF, a qual proibia o compartilhamento de informações com o Executivo. Isso gerou um forte processo de "fritura" de Andrei por parte de ministros políticos, que passaram a acusar a PF de agir com "excessiva independência" e de expor o governo a crises desnecessárias.

Em um episódio marcante, durante uma coletiva de imprensa conjunta, Lewandowski interrompeu Andrei publicamente. O diretor da PF sugeriu que o ministério tinha conhecimento prévio de detalhes operacionais de uma ação no Rio de Janeiro, o que foi prontamente rebatido e corrigido pelo ministro, expondo um incômodo explícito da cúpula da pasta com as declarações do chefe da PF.

Interlocutores da época de Flávio Dino apontavam que Andrei incomodava o chefe ao buscar total autonomia para a PF, tentando desvincular as grandes operações da imagem política do ministério. Dino, por sua vez, centralizava a comunicação e os anúncios das ações da PF, gerando um clima de "queda de braço" sobre quem detinha o comando real das forças de segurança federais.

O último presidente que teve um chefe de Polícia para chamar de seu foi Getúlio Vargas, com Filinto Müller, que despachava diretamente no Catete. Para alguns ex-integrantes do Ministério da Justiça, Andrei passou para Lula uma figura que misturava traços do Filinto Müller com Gregório Fortunato, que foi o chefe da guarda pessoal de Vargas, uma alusão ao período que Andrei comandou a segurança pessoal de Lula na campanha de 2022, quando ficaram próximos. O garoto com o dedo no buraco na represa viajou com Lula e agora um mar de lama foi derramado no maior colégio eleitoral do presidente.