A mesma operação Unha e Carne, que prendeu duas vezes Rodrigo Bacellar (a primeira ele deixou a prisão por decisão da Alerj), colocou na cadeia outro personagem com potencial explosivo ainda maior do que a delação do ex-presidente da Assembleia que atinge personagens fluminenses.
Quem está preso é o também advogado Alessandro Carracena, acusado de integrar um braço político que favorecia a facção criminosa Comando Vermelho (CV). A investigação apontou que ele usava sua influência e contatos na vida pública para vazar informações sigilosas e atender a interesses de criminosos. Na mesma operação, o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva (conhecido como TH Jóias) também foi detido. Interceptações telefônicas revelaram, inclusive, diálogos em que Carracena recorria a TH Jóias para intermediar a recuperação de veículos roubados que estavam dentro de comunidades dominadas pelo tráfico.
Poucos meses após a primeira detenção, Carracena foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva. Deflagrada pela PF, a operação desarticulou um núcleo criminoso suspeito de vender influência política e negociar vantagens indevidas para beneficiar um traficante internacional de drogas. Essa ação também resultou na prisão de um delegado da própria Polícia Federal.
O que torna Carracena uma bomba atômica é o fato da sua passagem no primeiro escalão da Prefeitura do Rio e depois no Governo do Estado como integrante do grupo que gravitava junto ao Senador Flávio Bolsonaro, hoje pré-candidato a Presidente da República.
Como o Correio da Manhã noticiou em 2022, a nomeação de Alessandro Carracena para Secretário Estadual de Esportes, no final do primeiro governo de Cláudio Castro, foi uma determinação do senador. Em ligação ao governador, o próprio Flávio exigiu a exoneração do secretário nomeado dias antes e a nomeação de Carracena.
O pedido do senador Flávio Bolsonaro foi atendido e Alessandro Pitombeira Carracena foi nomeado para o cargo de Secretário de Estado de Esporte e Lazer no dia 13 de abril de 2022. O ato de nomeação foi publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (DOERJ), Parte I (Poder Executivo), na edição do próprio dia 13 de abril de 2022 (ou com circulação em edição extraordinária/suplementar disponibilizada no final da tarde daquela mesma data).
Quando o então prefeito Marcelo Crivella buscava a reeleição, a aproximação com o então presidente Jair Bolsonaro foi articulada com a entrega da Secretaria de Ordem Pública à pessoa ligada ao senador Flávio Bolsonaro. Na reta final do mandato, foi o próprio Carracena que assumiu a titularidade da pasta.
Agora com o PCC e Comando Vermelho enquadrado como terrorismo internacional, a situação do ex-secretário de esportes se agrava, já que a acusação é de vínculos com a facção criminosa. A situação dele até então estava calma na cadeia. Trabalhava na faxina e aguardava o resultado das eleições de 2026. A realidade agora mudou muito. Se ele resolver fazer uma delação premiada, vai receber uma atenção especial da Polícia Federal e o comitê de reeleição de Lula vai fazer a festa. É a delação mais explosiva e com repercussão nacional.
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