A vantagem numérica de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) no cenário de empate técnico detectado pela Quaest em um segundo turno ressalta o risco para o atual presidente de uma solução no Supremo Tribunal Federal que livre o ministro Alexandre de Moraes.
Nos últimos dias, a campanha lulista utilizou informações do próprio STF para tentar embolar o jogo, frisou suspeitas sobre o também ministro André Mendonça — indicado por Jair Bolsonaro —, bateu bumbo para as histórias mal explicadas que envolvem o financiamento do filme "Dark Horse".
Também divulgada ontem, a pesquisa Nexus/BTG aponta para uma discreta reação de Lula, mas a Quaest mostra uma tendência diferente. Ou seja, o jogo continua embolado e indefinido.
Moraes foi parar no STF pelas mãos de Michel Temer, mas sua atuação em processos relacionados à tentativa de golpe e sua aproximação com Lula — chegou a articular o encontro deste com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre — colaram sua imagem no presidente.
As suspeitas de manipulação de investigação contra Mendonça são muito graves, mas tendem a gerar uma indignação menor do que as evidências de que o então Daniel Vorcaro despejou muito dinheiro na conta do escritório da mulher de Moraes.
Pior para os petistas: o caso Xandão ocorreu na sequência dos vazamentos que relacionavam Fábio Luiz, primogênito do presidente, a tráfico de influência. Até agora não surgiu nada que relacione o tal lobby a eventuais contratos irregulares com o governo, mas o estrago foi feito.
Uma decisão que impeça ou mesmo retarde investigações contra Moraes será vista por boa parcela do eleitorado como fruto de articulação do Planalto efetivada pelos ministros Flávio Dino, aliado e ex-auxiliar de Lula, e Cristiano Zanin, ex-advogado do presidente.
Operações determinadas por Dino e o levantamento de sigilo de investigações que envolvem relações entre Vorcaro e Flávio lançam muitas suspeitas sobre o candidato do PL, mas ainda não surgiu uma prova de que o esquema relacionado ao "Dark Horse" tenha servido principalmente para viabilizar um desvio de recursos para os bolsos de integrantes clã Bolsonaro.
A aventada atuação e Mendonça para proteger aliados e incriminar adversários precisa ficar mais evidente para ser capaz de gerar equivalência com o caso Moraes. Falta uma prova cabal até para cortar o efeito anestésico provocado pela sucessão de informações saídas do STF, algo capaz de confundir até quem acompanha o caso de perto.
A decisão será discutida hoje no plenário do STF deverá ir além dos rolos em que Moraes parece estar metido. Além das suspeitas que envolvem Mendonça, há evidências de que outros ministros ou alguns de seus parentes também tenham sido beneficiados por Vorcaro.
O problema mais imediato, porém, é de Lula. Ele sabe que um carinho em Moraes que venha a ser feito pelo plenário tem chance de representar um soco capaz de nocautear sua tentativa de reeleição.
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