Parte da direita cobra definição de Flávio Bolsonaro
08 de junho de 202600:01POR
FERNANDO MOLICA
Pesquisas registram empate de Caiado com LulaCrédito: Lula Marques/ Agência Brasil
A pressão do governo norte-americano contra o Pix e resultados das últimas pesquisas geraram, entre aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), uma perspectiva traduzível em algo como "ou cresce ou sai da briga".
O problema é a constatação de que outros pré-candidatos candidatos da direita, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), demonstram mais força em um eventual segundo turno do que o primogênito de Jair Bolsonaro. Isso reforça a a rejeição por ele acumulada nas últimas duas semanas.
A leitura é de que as dificuldades de Flávio tendem a minimizar, na rodada decisiva, o grande trunfo da direita, a rejeição de muitos eleitores a Lula e ao PT.
A vantagem do senador
As pesquisas RealTime Big Data e Vox mostraram, com algumas variações, que Caiado e Zema empatariam com Lula, numericamente ou dentro da margem de erro.
Flávio Bolsonaro, porém, seria derrotado pelo petista em caso de uma disputa no turno decisivo. O pré-candidato do PL, porém, mantém uma larga margem de vantagem — em torno de 25 pontos — sobre os adversários da direita. Isso inviabiliza qualquer pressão para que ele desista.
O medo do rótulo de traidor
Bolsonardo: melhor perder do que ganhar concorrenteCrédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Qualquer articulação para a saída de Flávio da disputa soaria como traição entre o eleitorado bolsonarista. O próprio Jair Bolsonaro tenderia a manifestar esse sentimento, o que provocaria ódio ao candidato identificado com uma eventual rasteira no senador fluminense.
Há, entre os defensores da saída de Flávio, a certeza de que a mudança só pode ocorrer pode iniciativa do chefe do clã, o que todos consideram improvável: há a certeza de que Jair prefere perder para Lula do que ver nascer uma liderança na direta que rivalize com sua família.
Ser ou não ser
Como definiu um político identificado com a direita, há uma torcida contraditória: para que Flávio se recupere nas próximas semanas — o que facilitaria tudo — ou que sua queda fique ainda mais acentuada.
A segunda hipótese, pelo menos, aumentaria a pressão política sobre os Bolsonaro, inclusive por parte do empresariado que não engole o PT.
Quaest
De acordo com o registro no Tribunal Superior Eleitoral, a Quaest deverá divulgar uma nova rodada de sua pesquisa depois de amanhã. Os 2.004 entrevistados estão sendo submetidos a 106 perguntas, que buscar saber suas opiniões sobre candidatos, iniciativas do governo e relações entre o Brasil e os EUA.
Pix solitário
O questionário prevê citações a Donald Trump (12 vezes), PCC e CV (seis). A única citação ao Pix é uma pergunta sobre quem teria razão: se Lula, ao dizer que o ataque ao sistema é porque ele prejudica cartões de crédito, ou Flávio, que atribui a decisão norte-americana a críticas do petista aos EUA.
Versão ignorada
De acordo com as perguntas entregues ao TSE, os entrevistados não estão sendo perguntados sobre suas percepções em relação a uma versão incentivada pelo Planalto: a de que a conversa de Flávio Bolsonaro com autoridades norte-americanas favoreceu a decisão da Casa Branca de atacar o Pix.
Alívio
A pressão norte-americana sobre o Pix gerou um complicador a mais para Flávio Bolsonaro e um alívio no governo. Permitiu ao Planalto fugir da história da decisão de Trump de jogar PCC e CV na lista de organizações terroristas. Por mais que o governo toque no assunto com cuidado, há sempre o risco de posar de defensor de bandidos.
Condenação
Levantamentos feitos pelo governo e pesquisas mais amplas mostraram a maior parte da população concorda em chamar os dois grupos de terroristas — vale tudo contra quem atazana a vida do país. E não é fácil explicar efeitos paralelos na economia; já explicar que o Pix está sob ataque é mole.
Os de sempre
A bolsa de apostas sobre futuras operações da Polícia Federal no Rio aponta para alguns setores tradicionalmente sensíveis de governos fluminenses: Detran, Loterj e Secretaria de Saúde. Áreas que, independentemente do governador, costumam produzir muitos escândalos e lucros indevidos.
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