Primeiro apoio de Lula a Paes foi por insistência de Cabral
23 de agosto de 202622:05Rafael Oliveira
Atualizado em 23 de agosto de 2026 - 22:06
Paes ao lado Lula durante ato no Rio de JaneiroCrédito: Ricardo Stuckert
Lula relembrou, durante ato eleitoral em Bangu, a aproximação com Eduardo Paes em 2008 e afirmou que o primeiro apoio ao então candidato ocorreu após uma insistência do ex-governador Sérgio Cabral. Segundo o presidente, ele e Paes não tinham boa relação naquele momento, mas acabaram se aproximando por circunstâncias políticas. Lula contou que estava com Marisa no aeroporto de Santa Cruz quando Paes chegou acompanhado de Cabral, que pediu seu apoio à candidatura. Inicialmente relutante, Lula disse ter dúvidas, mas mudou de posição após cerca de meia hora de conversa. O evento, que aconteceu no último sábado, 22 de agosto, no estádio do Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense, contou com participação de candidatos apoiados por Lula, como Eduardo Paes (PSD), candidato ao Governo do Rio; Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), candidatos ao Senado.
Dona Marisa não perdoou
Dona Marisa Letícia resistiu ao apoio de PaesCrédito: Ricardo Stuckert
Depois de decidir apoiar Paes, Lula contou que precisou tentar convencer Dona Marisa de seu gesto, mas encontrou resistência. Segundo ele, ela estava nervosa por causa de ofensas feitas ao filho do casal e não concordou com a decisão. Lula relatou que Paes chegou a escrever uma carta pedindo desculpas a Marisa, mas ela não aceitou sentar à mesa com os dois. O presidente também disse que, diante da situação, não quis que a mulher de Paes se sentasse com Marisa.
A campanha de 2008
Lula afirmou ainda que, apesar do episódio familiar, decidiu participar da campanha de Paes. Ele contou que gravou, durante quase uma hora, uma conversa com integrantes que trabalhavam na campanha do então candidato para que o material fosse utilizado em seu programa eleitoral. Ao relembrar o episódio, Lula disse considerar importante contar a história porque, segundo ele, as pessoas podem deixar de pensar no conjunto e olhar apenas para os próprios interesses, cometendo erros.
'Amizade virou necessidade'
Ao concluir o relato, Lula afirmou que a relação construída desde aquela aproximação política se transformou em amizade. Ele destacou que não é possível escolher irmãos, pais ou mães, mas que os amigos são escolhidos. A partir dessa reflexão, o presidente declarou que Eduardo Paes deixou de ser apenas seu amigo e passou a representar, em sua avaliação, uma necessidade para o povo do Rio de Janeiro. Lula repetiu a expressão ao reforçar sua importância para a população fluminense.
Há gente ou A gente?
Agora, ainda sobre o mesmo evento... se a intenção de Lula era dizer que existem pessoas que não acreditam em Deus, a escolha da expressão durante o discurso deixou margem para outra interpretação. Ao dizer "Há gente que não acredita em Deus", a frase, isoladamente, tem sentido de existência. Mas, na fala, a pronúncia pode ser entendida como "a gente que não acredita em Deus". Foi justamente essa diferença que abriu espaço para a repercussão nas redes sociais.
Ricardo Couto
Na sequência, Lula afirmou que era preciso lembrar que, quando tudo parecia perdido no Rio, Deus teria dado ao estado "um homem chamado Ricardo Couto", governador interino. O presidente então passou a falar sobre sua crença e afirmou que Deus orienta e sabe tudo. O trecho anterior, porém, tornou-se o principal ponto de discussão entre quem ouviu o discurso e interpretou de formas diferentes a expressão usada.
Interpretações opostas
Nas redes sociais, parte dos comentários sustentou que Lula disse "a gente", dando à frase o sentido de que ele próprio e outras pessoas não acreditariam em Deus. Outros defenderam que o presidente disse "há gente", referindo-se simplesmente à existência de pessoas que não têm fé. A discussão se concentrou, portanto, menos no conteúdo religioso do discurso e mais na forma como a frase foi pronunciada.
'Acredito em Deus'
Depois da passagem que provocou a discussão, Lula reforçou sua própria crença ao afirmar: "É por isso que eu acredito em Deus". Em seguida, declarou que Deus faz acontecer na vida aquilo que parecia impossível e disse que, de vez em quando, Deus dá "uma demonstração da sua existência". O restante da fala é claro sobre sua posição, mas não encerra a dúvida levantada pela pronúncia do trecho inicial.
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