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Canibalismo eleitoral: Desunião do petismo fluminense prejudica votos de Lula no Rio

Canibalismo eleitoral: Desunião do petismo fluminense prejudica votos de Lula no Rio
Freixo e Lindbergh esquecem Lula e brigam pelo 1313 Crédito: Reprodução/Instagram

Se a direita não se une nacionalmente, o que dizer da esquerda no Rio? O que está acontecendo com o petismo fluminense é digno de um divã de analista. A reação de Marcelo Freixo e do deputado Lindbergh Farias foi vista pelos analistas políticos como uma infantilidade absoluta. Os marqueteiros da direita comemoram as rusgas provocadas pelos dois, ao esquececerem que, na eleição passada, o número 1313 foi do deputado Quaquá. O seu mandato ainda está em curso (assumiu o suplente) e ele está vinculado a Maricá. O número foi repassado ao presidente do partido do estado e ao candidato da região. Falar em capitania hereditária, como fizeram Lindbergh e Freixo, é promover desunião, ao invés de colocar a eleição de Lula em primeiro lugar.

 

O fator Freixo

Será que o eleitor da esquerda tem memória curta? A trajetória política de Marcelo Freixo é marcada pela transição entre os três principais partidos de esquerda (PT, PSOL e PSB), movida por reajustes ideológicos e estratégias eleitorais pragmáticas. Enquanto Quaquá sempre se manteve fiel ao PT, Freixo deixou a sigla em 2005, discordando das alianças políticas de centro-direita firmadas pelo primeiro governo Lula.

Freixo renegou as origens

Marcelo Freixo renegou o PT e tornou-se um dos fundadores e principais rostos do PSOL logo após a criação da legenda. Sem identidade partidária, pensou no próprio umbigo e abandonou o PSOL como fez com o petismo. Saiu em 2021, buscando uma sigla com maior flexibilidade para construir "frentes amplas" partidárias. Migrou para o PSB em junho de 2021, com o objetivo de centralizar uma coalizão progressista. Quis atrair o centro que renegou antes. Não deu certo.

Procurou a direita

Ele quer agora o 1313, depois que reassumiu a filiação ao PT em janeiro de 2023, deixando o PSB, logo após ser anunciado pelo governo federal para a gestão pública. Ganhou como prêmio de consolação a presidência da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo - Embratur e até se saiu bem, mas aparelhou a estrutura do Rio com nomes ligados a sua agenda eleitoral. Na sua campanha a governador pelo PSB, contribuiu para a derrota do PT ao Senado.

Senatória do PT

Marcelo Freixo ataca Quaquá, mas atuou em 2022 para viabilizar a candidatura ao Senado de Alessandro Molon pelo PSB, dividindo os votos da esquerda e prejudicando a candidatura competitiva de André Ceciliano, outro histórico do PT, a senador. Deu de presente a reeleição do senador Romário, do PL. A esquerda, unida, não seria vencida para o Senado. Cadê a fidelidade ao PT para ganhar agora o 1313?

Lula em 2º plano?

Se o camaleão partidário Freixo ficou de birra, o que dizer do deputado Lindbergh Farias? Ele ataca o coordenador da campanha de Lula à Presidência no Rio. O prefeito de Maricá, Washington Luiz Cardoso Siqueira, popularmente conhecido como Quaquá, de origem humilde, ingressou no PT aos 14 anos, em 1985, e ajudou a fundar o diretório do partido em Maricá. Nunca teve outra legenda.

Apoio efetivo

Quando Fernando Haddad foi derrotado por Jair Bolsonaro em 2018, Quaquá foi o anjo da guarda dos petistas defenestrados do Palácio do Planalto. Deu abrigo aos grandes nomes do petismo nacional e os cargos públicos de Maricá tiveram gestores com status de ministros e secretários nacionais. Na vida privada, socorreu Lula e familiares, principalmente durante a prisão do hoje presidente. Que outro petista fez isso?

1313 é de Zeidan

Quem recebeu o 1313 no Rio foi o filho de Washington Quaquá, Diego Zeidan (também conhecido como Diego Quaquá), fruto de seu relacionamento com a deputada estadual Rosângela Zeidan. Atuou como secretário de Habitação da Prefeitura do Rio e exerceu funções na administração de Maricá. Ele harmonizou o PT e aceitou a candidatura da deputada Benedita da Silva ao Senado. Todos pensavam que o PT fluminense estava pacificado e unido para eleger Lula, até que surgiram as manifestações públicas de Lindbergh e de Freixo, além do boicote dos dois à convenção partidária.

O voo solo do PSOL

O PSOL, fundado por Marcelo Freixo, tem como pré-candidato a governador do Rio o vereador William Siri (PSOL), economista de 33 anos que teve sua pré-candidatura oficializada na convenção partidária. Suas principais propostas envolvem a reestatização da Cedae e melhorias na malha ferroviária. Terá como vice-governadora na chapa a Professora Juliana Carvalho (PSOL), historiadora natural de Volta Redonda. O lançamento de uma candidatura ao Senado pelo PSOL poderá criar problema para Pedro Paulo.

Amigos para sempre

Há uma máxima que diz que "esquerda vota na esquerda". Os eleitores de Benedita da Silva trocarão Pedro Paulo por Mônica Benício (PSOL). A arquiteta e atual vereadora da capital fluminense foi confirmada para concorrer a uma das vagas ao Senado Federal. Sua plataforma política é voltada à defesa dos direitos humanos, pautas LGBTQIA e melhorias para as comunidades e favelas do Rio. Não causará surpresa se Freixo e Lindbergh (que foi colega de Mônica na Câmara dos Vereadores) estiverem de braços dados com ela. Ela pode tirar a eleição de Pedro Paulo.