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Sobrevivência de Tarciso Salles no CBMERJ garantida por influência do TCMRio

Sobrevivência de Tarciso Salles no CBMERJ garantida por influência do TCMRio
Tarciso Salles com Luiz Guaraná, presidente do TCMRio Crédito: Divulgação

A tropa de choque em defesa do secretário de Defesa Civil e comandante Tarciso Salles tem nome e CPF, deixando marcas a cada tentativa de defender a permanência do coronel no cargo após uma enxurrada de denúncias na imprensa. O primeiro passo foi construir uma narrativa junto ao governador Ricardo Couto que evitasse uma exoneração sumária, já que o governo estadual prega a tolerância a irregularidades. O argumento usado é que trata-se de uma briga interna entre forças da corporação querendo ocupar o comando. Argumento pífio, já que o habilidoso Tarciso promoveu um alinhamento desta correntes com a distribuição de cargos, preservação de contratos e agendas dos ex-comandante.

 

Um nome que sabe demais

Um nome que sabe demais
Botto foi o fiel escudeiro de Tarciso Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O único conflito foi criado pelo próprio Coronel Tarciso ao exonerar sumariamente seu subsecretário e braço direito da sua gestão. Mandou recolher até o porte de armas. Virou uma questão pessoal. Só que o rapaz não dá um pio porque conhece os bastidores de todos os negócios que foram feitos nesta gestão. Se fizer denúncia, pode sofrer o efeito bumerangue.

Não é hora de mudar

O segundo passo para a sobrevivência do coronel Tarciso no comando da CBMERJ foi buscar um avalista externo com acesso ao governador interino: a conexão do delegado José Renato Torres, que teve a passagem mais breve no Secretário da Polícia Civil e retornou ao TCMRio, onde está há 16 anos, com o ex-comandante dos bombeiros, o coronel Sérgio Simões. Os dois recrutaram o presidente do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, Luiz Antônio Guaraná, que fez o pedido ao governador, mas não avalizou.

Jogo de xadrez municipal

Amigo do governador Ricardo Couto, o presidente do TCMRio, Luiz Antônio Guaraná, não colocou a mão no fogo pelo coronel. Apenas pediu para que primeiro apurasse as denúncias de irregularidades para depois fazer a exoneração, evitando agir por impulso e passou a tese da briga interna. Uma auditoria foi instalada e, enquanto isso, brotam novas irregularidades a cada dia.

Taxa de incêndio

Para atender o pedido de Luiz Antônio Guaraná, o governo do estado está sendo parcimonioso com o caso dos bombeiros. A maior irregularidade, porém, não precisa de auditoria. Foi a tentativa de transferir R$ 25 milhões do Fundo da Taxa de Incêndio para o Instituto Rio Metrópole - IRM. Neste caso, o sonoro não partiu da nova gestão estadual. Tudo amplamente documentado.

Importado do Samu

No caso dos Quartéis de Lata, que estão sendo alugados por R$ 15.960,00 por mês cada um, foi a própria justiça que suspendeu o pregão. O caso ganha novos contornos, já que este mesmo tipo de solução de estruturas temporárias de lata foi importado do SAMU. Adivinhem quem estava à frente do serviço de ambulâncias? O atual chefe do estado maior de Tarciso, o coronel Sarmento. Aliás, os dois foram trazidos da Secretaria de Saúde do estado para o comando geral.

Vaca leiteira

O caso dos quartéis de lata é uma vaca leiteira nas tetas do estado. Todo o mês o estado do Rio desembolsa os aluguéis, que, somados, chegarão a quase 1 milhão de reais mensais, não fica dono de nada e os praças ficam iguais a "sardinhas enlatadas" em equipamentos temporários. Um negócio da China e teve o mesmo modelo milionário implantado no SAMU pelos mesmos personagens.

TCM ou TCE?

Além do Correio da Manhã, a Band e agora Globo vem fazendo denúncias sistemáticas sobre os problemas envolvendo o atual comandante. O curioso é que a conexão TCMRio e o governo do Rio demonstra também uma nova influência da Prefeitura do Rio e da equipe do ex-prefeito Eduardo Paes no estado. O estado é fiscalizado pelo TCE e não pelo TCMRio, que cuida exclusivamente da gestão da capital.

O dono da cadeira

O nome mais cotado para substituir Tarciso Salles é o do atual secretário de Ordem Pública da Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcus Belchior. Ele é coronel full do Corpo de Bombeiros e assumiu o cargo na gestão do prefeito Eduardo Paes, após ter atuado anteriormente como chefe executivo do Centro de Operações e Resiliência (COR). No caso da vitória de Paes, ele é o nome para gerir a corporação.

Só em novembro

O Coronel Marcus Belchior tem muito o que fazer ainda na Prefeitura do Rio, principalmente durante o período eleitoral. Ele só estaria liberado após o segundo turno e no caso da vitória de Eduardo Paes. Seria o primeiro passo da transição. Tirar Tarciso Salles agora iria bagunçar esta estratégia com a nomeação de um interino e com El Niño chegando. Até lá, o comandante vai continuar sangrando na mídia, o governo contaminado com denúncias e engessado para atender a agenda de uma possível futura gestão.