Altineu: o presidente Hugo Motta não foi correto comigo
14 de julho de 202623:09Rafael Oliveira
Altineu Côrtes, vice-presidente da Câmara, afirmou ao CorreioCrédito: Divulgação/Câmara
"Hugo Motta não foi correto comigo", disse o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Cortês, ao Correio da Manhã, ao ser questionado sobre o adiamento da escolha do nome que sucederá Augusto Nardes do Tribunal de Contas da União - TCU. O acordo do PL e PT, que colocou Odair Cunha (PT-MG) no lugar do ministro Aroldo Cedraz, estava em vigor. A bancada governista (PT) aceitou compor com os bolsonaristas sob a seguinte premissa: se o Centrão e a oposição ajudassem a aprovar o nome de Odair para a vaga de Aroldo Cedraz, os governistas não criariam obstáculos para que a vaga seguinte (de Nardes) ficasse com o candidato indicado pelo bloco de oposição, no caso, o próprio Altineu Côrtes.
Quem roeu a corda foi o presidente da Câmara, Hugo Motta, e por dois motivos: usar como moeda de troca para a sua reeleição a presidente da Casa em 2027; e guardar a cadeira para o padrinho e antecessor Arthur Lira, que concorre ao Senado por Alagoas em outubro.
O bombardeio de Arthur Lira
Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos DeputadosCrédito: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O papel de Arthur Lira nos bastidores é o principal fator que desidratou o favoritismo de Altineu Côrtes. Embora Altineu estivesse costurando o acordo com o PT, a entrada do ex-presidente da Câmara no circuito mudou a dinâmica das negociações do Tribunal de Contas da União (TCU). Lira enxerga a cadeira vitalícia de Augusto Nardes como um porto seguro institucional para o seu próprio futuro político pós-2026, caso enfrente reveses eleitorais em Alagoas.
Lira embolou a sucessão
Para impedir que Altineu vencesse a disputa rapidamente por W.O., o Progressistas (PP) de Lira lançou múltiplos nomes internos na Câmara — como Aguinaldo Ribeiro e Claudio Cajado. O objetivo é pulverizar os votos e travar o andamento da indicação. Vale lembrar que Motta chegou à presidência da Câmara apadrinhado diretamente por Arthur Lira. O adiamento da votação funciona como um gesto direto de blindagem aos interesses do PP e de seu criador político.
Altineu disputa reeleição
Ao quebrar o acordo, Hugo Motta cria um problema político para Altineu Cortês, que terá de concorrer à reeleição e fica impedido de trabalhar um sucessor para os seus votos como deputado federal. "Eu não desmobilizei a minha equipe e vou seguir com o meu projeto de reeleição".
Clima azedo entre PP e PL
A interferência de Lira gerou um cabo de guerra aberto entre o PP (de Lira/Motta) e o PL (de Altineu/Valdemar Costa Neto). Ao trabalhar para Lira, Hugo Motta tenta equilibrar-se no comando da Casa sem romper em definitivo com o PL, usando o tempo extra para negociar uma saída que não imploda a governabilidade de seu bloco parlamentar.
Medo do STF
A postura de cautela de Hugo Motta com o tribunal repete a mesma estratégia adotada meses antes, na sucessão da vaga de Aroldo Cedraz. Naquela ocasião, ele também teve de recuar de uma votação surpresa e adiar o pleito após sofrer forte pressão de líderes do Centrão e da oposição, que ameaçaram judicializar o rito no Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao favoritismo do candidato do PT.
Esqueceram das mulheres?
Com a oficialização da saída de Augusto Nardes, deputadas de diferentes partidos formaram uma forte coalizão interna exigindo que a próxima vaga do TCU seja obrigatoriamente destinada a uma mulher. Nomes como Soraia Santos (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP), que haviam recuado na disputa anterior, cobram o cumprimento dessa promessa de gênero, minando o favoritismo automático de Altineu.
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