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A segunda prisioneira: Michelle Bolsonaro está em uma verdadeira prisão domiciliar

A segunda prisioneira: Michelle Bolsonaro está em uma verdadeira prisão domiciliar
Moraes foi a tirando, pouco a pouco, do jogo político Crédito: Reprodução/Redes sociais

Pouca gente percebeu que, pouco a pouco, Michelle Bolsonaro foi sendo colocada em prisão domiciliar. É só juntar os pontos e os fatos para ficar claro como o efeito colateral das últimas decisões do ministro Alexandre de Moraes foi retirando, paulatinamente, a ex-primeira-dama do jogo político e a transformando na segunda prisioneira na sua própria casa.

As decisões foram se afunilando e tirando Michelle do trabalho de mobilização nacional que vinha fazendo com dedicação e das viagens que realizava em todo o país como presidente do PL Mulher.

É impossível pensar em coincidência ou em algo que surgiu por osmose, mas o efeito imediato foi transformá-la na única cuidadora do seu marido em uma situação delicada de saúde. As decisões, cada vez mais severas, penalizaram Michelle, engessando-a em um atividade doméstica e impossibilitando o seu papel como a mais visível representante da família Bolsonaro no jogo sucessório. Uma agenda que agradou a Lula e os filhos de Jair, que desejavam diminuir o seu protagonismo político.

 

Cuidando sozinha do Galego

Cuidando sozinha do Galego
Michelle assumiu papel central nos cuidados do marido Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro impõe restrições severas de convivência, gerando relatos de sobrecarga sobre sua esposa, Michelle Bolsonaro. Ela assumiu papel central nos cuidados diários de saúde e alimentação do marido.

Após Bolsonaro ser internado com broncopneumonia bacteriana, o ministro do STF Alexandre de Moraes converteu a prisão para o regime domiciliar por 90 dias, a partir de 27 de março passado, impondo restrições básicas, como proibição total de visitas de aliados políticos, amigos e terceiros sem autorização prévia da Corte, comunicação restrita, vedando o uso de celulares, redes sociais ou o envio de áudios e mensagens — inclusive por intermédio de terceiros.

Visita com hora marcada

Acesso livre à casa só apenas para a equipe médica e os advogados constituídos no processo. Até as visitas de parentes são controladas: permitidas apenas aos filhos (em dias e horários específicos, como quartas e sábados).

Ajuda externa foi negada

Em 15 de abril de 2026, o ministro Alexandre de Moraes deu um xeque-mate na mobilidade de Michelle Bolsonaro. A partir desta data, ela passou a ser a segunda prisioneira na sua própria casa. Ele vetou cuidadores e terceiros. A decisão mais restritiva em relação à rotina de cuidados ocorreu quando Moraes rejeitou formalmente o pedido para incluir Carlos Eduardo Antunes Torres (irmão de criação de Michelle) como cuidador permanente na residência.

As razões de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes fundamentou a negativa, apontando que o familiar indicado não possui formação técnica ou profissional na área da saúde. A decisão inicial já assegura o livre acesso de equipes médicas e fisioterapeutas profissionais à residência a qualquer hora, não justificando a permanência fixa de um terceiro sem qualificação, sob o pretexto de prestar assistência de saúde.

Restrições mantidas

Agora, em 3 de julho de 2026, a prisão domiciliar humanitária foi mantida por Moraes sob os mesmos critérios rigorosos de isolamento. Além de cozinhar para o marido, ela cuida até da sua higiene pessoal, devido ao problema que ele tem nos ombros. Michelle tem usado uma espécie de tipóia no antebraço pelo esforço que tem feito para levantar e cuidar do esposo.

Medo de envenenamento

A centralização do preparo das refeições em Michelle Bolsonaro ocorreu por uma combinação de restrições judiciais rigorosas, restrições de saúde específicas de Jair Bolsonaro e questões de segurança (temor de envenenamento). Ele só come alimentos preparados pela esposa.

Efeitos da facada

O ex-presidente necessita de refeições sob medida, com baixíssima gordura (como frango grelhado, arroz solto e omeletes), para evitar as recorrentes crises de soluço, vômito e obstruções intestinais causadas pelas sequelas da facada de 2018.

Cirurgia no ombro

Esse cenário se agravou de forma pontual no início de julho de 2026, após Bolsonaro passar por uma nova cirurgia (no ombro direito). Michelle desabafou nas redes sociais sobre o esgotamento físico e revelou que estava com o tendão da mão inflamado, de tanto esforço para cuidar sozinha do marido.