O Hospital de Base do Distrito Federal entrou em uma nova etapa da assistência especializada ao realizar seu primeiro transplante de medula óssea. O procedimento, feito em outubro, inaugura a oferta do transplante autólogo na unidade, modalidade em que as células-tronco utilizadas pertencem ao próprio paciente.
A ampliação representa um avanço para a rede pública local e aumenta a capacidade de atendimento a pessoas que dependem desse tipo de tratamento de alta complexidade, afirma a Agência Brasília - site oficial de notícias do GDF.
Até então, pacientes acompanhados pelo Hospital de Base que necessitavam do procedimento precisavam ser encaminhados para outros centros habilitados por meio da Central Estadual de Transplantes. Em muitos casos, o processo resultava em meses de espera. Com o novo serviço, a expectativa é oferecer de dois a quatro transplantes por mês, inicialmente voltados para pacientes com mieloma múltiplo e determinados tipos de linfoma.
A implantação exigiu anos de preparação, incluindo adequações estruturais, treinamento de equipes multiprofissionais e a adoção dos protocolos exigidos pelo Ministério da Saúde. Cerca de 30 profissionais de diferentes especialidades participaram do processo de credenciamento e organização do serviço.
O marco local ganha relevância diante da dimensão do transplante de medula óssea no Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável pela maior parte desses procedimentos realizados no país e registrou quase 12 mil transplantes entre 2022 e 2025. O Brasil também mantém um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo e ocupa posição de destaque no cadastro internacional de doadores de medula óssea.
Além da ampliação da oferta de tratamento, a nova estrutura permite que pacientes permaneçam vinculados à mesma equipe responsável pelo acompanhamento clínico, favorecendo a continuidade do cuidado e reduzindo a necessidade de encaminhamentos para outras unidades.
Segundo especialistas da área, a expectativa é que o serviço contribua para diminuir o tempo de espera e ampliar o acesso ao tratamento de doenças hematológicas no Distrito Federal. A próxima etapa prevista para a unidade é a implantação do transplante alogênico, realizado a partir de células-tronco obtidas de doadores compatíveis.
Primeiro paciente transplantado no Hospital de Base celebra recomeço após tratamento contra câncer
Um estalo no ombro durante um treino de academia levou o comerciante Carlos França Pereira, de 54 anos, a descobrir uma doença que mudaria sua vida. Exames realizados após as dores revelaram um mieloma múltiplo, tipo de câncer que afeta a medula óssea. Meses depois, ele se tornou o primeiro paciente submetido a um transplante de medula óssea no Hospital de Base do Distrito Federal.
O diagnóstico recebido em novembro de 2025 trouxe insegurança e medo. A principal preocupação era a possibilidade de não acompanhar o crescimento dos filhos. Em fevereiro deste ano, ele iniciou o tratamento com quimioterapia e passou a ser acompanhado pela equipe especializada da unidade.
A boa resposta ao tratamento abriu caminho para o transplante autólogo, modalidade em que são utilizadas células-tronco do próprio paciente. O procedimento ocorreu em 8 de outubro. Apesar do nome, não houve cirurgia. As células foram coletadas do sangue, preservadas e posteriormente reinfundidas após uma quimioterapia de alta intensidade.
A fase mais delicada veio nos dias seguintes, quando o paciente permaneceu em isolamento sob monitoramento constante enquanto a medula retomava a produção de células sanguíneas. A confirmação da recuperação ocorreu menos de duas semanas depois, permitindo a alta hospitalar sem complicações graves.
Embora o transplante não represente a cura definitiva do mieloma múltiplo, ele é considerado uma das principais ferramentas para ampliar o controle da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Na rede privada, procedimentos dessa complexidade podem ultrapassar R$ 300 mil, mas são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.
Ao deixar o hospital, Carlos afirmou que a experiência mudou sua forma de encarar a vida. Depois de meses de tratamento e incertezas, disse que pretende valorizar mais a rotina e os pequenos momentos do cotidiano, encarando o futuro como uma oportunidade de recomeço.
Menu