BRASILIANAS | Promulgação da PEC do 6×1 reacende debate sobre impacto da nova jornada no comércio do DF
Mudança ocorre em um setor que responde por 6,1% do PIB e emprega 164,6 mil pessoas -- CNC lidera alerta sobre transição, contratos e segurança jurídica
19 de outubro de 202603:01por William França
Para os sindicatos empresariais, a mudança envolve custos relevantesCrédito: Divulgação/Sindiatacadista-DF
A promulgação da Emenda Constitucional nº 141, que extingue a escala 6×1 e reduz gradualmente a jornada máxima semanal, reacendeu o debate sobre os efeitos da mudança no comércio do Distrito Federal.
A nova regra prevê dois dias de descanso remunerado e preservação dos salários, com a jornada passando de 44 para 42 horas após dois meses da publicação e chegando a 40 horas após mais um ano.
O setor acompanha o processo de adaptação, que exigirá reorganização das equipes, revisão de contratos e ajustes operacionais em atividades que dependem de funcionamento contínuo.
O comércio representa 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do DF e integra o setor de Serviços, responsável por 95,6% da economia local. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as empresas comerciais empregam 164,6 mil pessoas formalmente na capital, com o varejo reunindo a maior parte dos postos.
Outros levantamentos apontam mais de 218 mil trabalhadores atuando na área, considerando ocupações formais e informais. Na distribuição geral da força de trabalho, o comércio é o segundo maior empregador do DF, atrás apenas dos Serviços, que concentram quase metade dos vínculos.
Comércio projeta aumento nos preços ao consumidor
A mudança constitucional também envolve custos relevantes para as empresas. A redução da jornada sem corte salarial eleva o valor da hora trabalhada e pressiona a necessidade de novas contratações para garantir cobertura das operações.
Segundo Alaor Gomes Neto, presidente do Sindiatacadista-DF, o setor opera com margens de um dígito, o que deixa pouco espaço para absorver novos custos. A redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, eleva em cerca de 10% o custo da hora trabalhada.
Estudos do setor indicam que cada 1% de aumento na folha de pagamento do comércio se reflete, no longo prazo, em cerca de 0,6% nos preços. Isso aponta para uma pressão da ordem de 6% sobre os preços ao consumidor, especialmente em atividades que dependem de equipes amplas e escalas rotativas.
O período de transição será decisivo para definir o ritmo de adaptação e os efeitos sobre o mercado de trabalho local.
Alaor Gomes Neto, presidente do Sindiatacadista-DF | Foto: Divulgação/Sindiatacadista-DF CNC, atacado e serviços terceirizados pedem regras claras para adaptação ao fim da escala 6×1
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) considera que a implementação da Emenda Constitucional nº 141 exigirá regulamentação detalhada para garantir segurança jurídica e previsibilidade às empresas.
A entidade acompanhará a elaboração do decreto que disciplinará pontos como regras de transição, aplicação das novas exigências em atividades contínuas, tratamento de regimes específicos de trabalho e compatibilidade dos acordos coletivos com os limites de jornada e descanso.
Para a CNC, a definição desses parâmetros será essencial para reduzir incertezas e permitir adaptação equilibrada às novas exigências constitucionais.
Reações dos sindicatos empresarias no DF
No Distrito Federal, o Sindiatacadista=DF destaca que a reorganização das equipes, a adequação logística e a revisão dos contratos exigirão planejamento para evitar impactos sobre a distribuição de mercadorias.
A entidade reforça que mudanças dessa dimensão precisam considerar a realidade operacional das empresas e valorizar a negociação coletiva como instrumento de ajuste.
A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços (Febrac), que representa os setores de asseio, conservação e serviços terceirizados, alerta para riscos à continuidade de operações essenciais em hospitais, escolas, órgãos públicos, indústrias e centros comerciais.
A federação considera que o curto prazo de transição amplia a complexidade da adaptação, especialmente em atividades que dependem de cobertura permanente.
A avaliação da compatibilidade da escala 12×36, a revisão dos contratos vigentes e o planejamento financeiro para absorver os novos custos são pontos considerados decisivos para preservar empregos e manter a qualidade dos serviços.
As entidades defendem diálogo entre governo, trabalhadores e empresas para assegurar implementação responsável, com atenção às particularidades de cada atividade e às necessidades de setores que operam de forma contínua.
Receba as principais notícias do dia
Cadastre-se gratuitamente e fique por dentro de tudo que acontece no Brasil e no mundo.
Ao se inscrever, você concorda em receber nossa curadoria editorial por e-mail e aceita a nossa
Política de Privacidade.