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BRASILIANAS | A esquizofrenia eleitoral do DF: PL domina o Senado, PSOL lidera urnas proporcionais e o Buriti vai ao 2º turno

Resultados oficiais mostram um eleitorado que alterna escolhas entre campos ideológicos distintos e concentra votos em figuras específicas

BRASILIANAS | A esquizofrenia eleitoral do DF: PL domina o Senado, PSOL lidera urnas proporcionais e o Buriti vai ao 2º turno
Fábio Félix (PSOL) foi o mais votado para a Câmara dos Deputados, com 224.224 votos Crédito: Reprodução/Instagram)

Os resultados oficiais das eleições no Distrito Federal revelaram um comportamento eleitoral que desafia explicações tradicionais da ciência política. A disputa pelo governo local expôs a primeira contradição: Celina Leão (PP) ficou a 0,07% dos votos válidos de encerrar a eleição no primeiro turno, levando a definição para o segundo turno contra Leandro Grass (PT), que alcançou 34,47%.

O dado indica que a base governista não conseguiu converter a vantagem esperada em vitória imediata, enquanto a oposição manteve competitividade relevante no Executivo.

Macaque in the trees
No Senado, o PL consolidou força no DF ao conquistar as duas vagas com Bia Kicis e Michelle Bolsonar | Foto: Zack Stencil/PL

No Senado, o eleitor adotou postura oposta. O PL conquistou as duas vagas disponíveis, com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, resultado que reforça a força da direita nas eleições majoritárias e garante ao partido protagonismo na representação do DF.

Já nas urnas proporcionais, o comportamento se deslocou para outro polo ideológico. Fábio Félix (PSOL) foi o candidato mais votado para a Câmara dos Deputados, com 224.224 votos, quase o dobro do segundo colocado, Rafael Prudente (MDB), que recebeu 119.427 votos. Alberto Fraga (PL) somou 118.579 votos, seguido por Thiago Manzoni (PL), com 90.418, e Julio Cesar (Republicanos), com 90.092. Izalci Lucas (PL) completou o grupo dos mais votados, com 88.056 votos.

Foi eleito ainda Agnelo Queiroz (PT), com 43.542 votos e reeleito o professor Reginaldo Veras (PV), com 43.179 votos. Esta é a nova bancada do DF na Câmara Federal.

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O deputado distrital Max Maciel (PSOL) liderou a votação para a Câmara Legislativa, com 50.100 votos | Foto: Agência CLDF

Na Câmara Legislativa, o padrão se repetiu. Max Maciel (PSOL) liderou a votação com 92.234 votos, seguido por Eduardo Pedrosa (União), com 50.883. Outros nomes bem votados foram Joaquim Roriz Neto (PL), com 45.604 votos, Múcio (PSB), com 42.769, Chico Vigilante (PT), com 50.043, Gabriel Magno (PT), com 42.331, e Keka Bagno (PSOL), com 40.569 votos.

Apesar das votações expressivas de Fábio Félix e Max Maciel, o desempenho não se traduziu em ampliação significativa das bancadas de esquerda, evidenciando o fenômeno das votações concentradas em figuras específicas, sem efeito proporcional robusto para o conjunto das legendas.

Resultado é esquizofrênico e desafia a ciência política

O conjunto desses resultados compõe um quadro de esquizofrenia eleitoral: o eleitor consagra o PL no Senado, leva o PSOL ao topo das urnas proporcionais e mantém o PT competitivo no Executivo.

A alternância entre campos ideológicos distintos reforça a prevalência de escolhas personalistas e a formação de “ilhas de votação”, fenômeno em que candidaturas isoladas concentram grande volume de votos sem impacto coletivo na correlação de forças.

Para as legendas, o recado é direto: chapas equilibradas e projetos estruturados passam a ser tão determinantes quanto candidaturas de forte apelo individual.