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BRASILIANAS | Brasília lidera salários e demanda em tecnologia da informação

DF tem a maior remuneração formal do país e concentra mais da metade das vagas do Centro-Oeste -- Norte, Nordeste e Centro-Oeste registram as maiores taxas de crescimento entre 2023 e 2025, enquanto o Sudeste mantém a concentração

BRASILIANAS | Brasília lidera salários e demanda em tecnologia da informação
O DF apresenta o maior salário médio para profissionais de TIC do país, em 2025 Crédito: Divulgação/Brasscom

Brasília ocupa hoje uma posição singular no mapa da tecnologia da informação e comunicação (TIC) no Brasil. De acordo com o Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC, elaborado pela Brasscom, associação que reúne empresas de tecnologia e comunicação digital, a capital federal registra a maior média salarial formal do país no setor: R$ 6.622 por mês, valor 12,5% acima da média nacional, que é de R$ 5.888.

Em outras palavras, quem trabalha com tecnologia em Brasília, com carteira assinada, ganha, em média, mais do que qualquer outro profissional formal da área em qualquer unidade da federação.

Esse desempenho não é fruto do acaso. O Distrito Federal é marcado pela presença intensa do setor público federal, que vem passando por um processo acelerado de digitalização. Órgãos da administração direta e indireta ampliaram a demanda por profissionais especializados em segurança cibernética, inteligência artificial, governança digital, computação em nuvem e análise de dados.

São áreas estratégicas para garantir a proteção de sistemas, o funcionamento de serviços digitais e a modernização da máquina pública. Essa combinação de alta responsabilidade, necessidade de qualificação e projetos de grande escala ajuda a explicar por que os salários médios em Brasília estão acima da média nacional.

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Total de empregos formalmente registrados (CLT) de TIC, em 2025 | Foto: Divulgação/Brasscom

O relatório mostra que o Centro-Oeste concentra 62.782 empregos formais em TIC, e o Distrito Federal responde por 56% dessas vagas, somando 35.346 vínculos com carteira assinada.

Isso significa que, mais do que um polo isolado, Brasília funciona como um motor regional: mais da metade dos empregos formais de tecnologia da região estão na capital federal.

Ao mesmo tempo, o Centro-Oeste apresenta uma dinâmica própria de crescimento. Entre 2023 e 2025, o número de profissionais formais de TIC na região cresceu 3,2%, superando o avanço do Sudeste, que foi de 2% no mesmo período.

Além da presença do setor público, o mercado regional é influenciado pela adoção de soluções tecnológicas em segmentos como agronegócio, logística e serviços. Estados vizinhos, como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ampliam o uso de tecnologias para automação, gestão de cadeias produtivas, monitoramento de safras, transporte e inteligência de mercado. Essa diversidade de aplicações contribui para qualificar a força de trabalho e reforça a posição do Centro-Oeste como região estratégica para o setor.

Transformação estrutural em curso no setor

O estudo também aponta que o mercado de TIC atravessa uma transformação estrutural nas relações de trabalho. Embora o relatório de regionalização trate dos vínculos formais, a Brasscom destaca o crescimento de contratações em modalidades como Pessoa Jurídica (PJ) e Microempreendedor Individual (MEI), que já superam, em ritmo de expansão, os vínculos celetistas.

Entre 2023 e 2025, trabalhadores informais cresceram 3,3%, enquanto PJs e MEIs avançaram 8,9%. Esse movimento indica uma maior diversificação das formas de contratação, com impacto direto na organização das carreiras e na forma como profissionais de tecnologia se relacionam com empresas e projetos.

Para Brasília, o cenário é de oportunidades e desafios. De um lado, a capital se afirma como referência nacional em remuneração e demanda qualificada, atraindo profissionais e empresas. De outro, a necessidade de formação contínua, atualização técnica e políticas públicas que acompanhem a velocidade da transformação digital torna-se ainda mais urgente.

Em um contexto em que investimentos em tecnologias digitais no Brasil devem alcançar R$ 774 bilhões até 2028, segundo projeções da Brasscom, a posição de Brasília como centro de decisões e de serviços públicos digitais tende a ganhar ainda mais relevância.

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No comparativo nacional, o DF está em 7º lugar em participação do mercado, mas lidera quando o quesito é o salário médio | Foto: Divulgação/Brasscom

Interiorização da tecnologia muda o mapa dos empregos de TIC no país

O mercado brasileiro de tecnologia da informação e comunicação (TIC) vive uma mudança silenciosa, mas profunda, na sua geografia. Se por um lado o Sudeste continua concentrando a maior parte dos empregos formais do setor, por outro, o crescimento mais acelerado está acontecendo em regiões que historicamente ocupavam posições secundárias no mapa da tecnologia: Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Dados da Brasscom mostram que, entre 2023 e 2025, o número de empregos formais em TIC cresceu 5,4% no Norte, 3,8% no Nordeste e 3,2% no Centro-Oeste. Essas taxas superam as registradas no Sul, de 3,1%, e no Sudeste, de 2%.

O movimento indica um processo de interiorização das oportunidades, em que novos polos de tecnologia surgem em cidades fora do eixo tradicional Rio–São Paulo, impulsionados pela transformação digital de empresas, governos e serviços.

Apesar dessa interiorização, o Sudeste ainda reúne 62,5% dos empregos formais de TIC do país, com 588.943 trabalhadores e salário médio de R$ 6.802. São Paulo, sozinho, concentra 44,7% dos empregos formais do setor, com 420.996 profissionais e média salarial de R$ 7.321.

Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 83.854 empregos (8,9% do total), seguido pelo Rio de Janeiro, com 71.277 (7,6%). O Sul ocupa a segunda posição regional, com 165.382 postos (17,5%), e salário médio de R$ 4.972.

TIC ampliou número de carteiras assinadas

No conjunto do país, o estudo mapeou 942.879 profissionais com carteira assinada na área de TIC em 2025, número 19,9 mil superior ao registrado em 2024. A média salarial nacional é de R$ 5.888, valor 6,9% maior do que o observado no ano anterior. Quase 80% desses trabalhadores — 78,6% — estão concentrados em seis estados brasileiros, com destaque para São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e os principais polos do Sul.

Entre as ocupações, a função de analista de desenvolvimento de sistemas se destaca tanto em volume quanto em remuneração. São 252.903 empregos formais nessa área, com média salarial de R$ 8.337, o maior valor entre as cinco ocupações mais relevantes do setor, e um aumento de 26,8% na média salarial em relação ao período anterior.

Já a função de analista de suporte computacional soma 114.663 cargos formais, com remuneração média de R$ 3.990, após alta de 12,2%.

Os não-celetistas também cresceram, aponta pesquisa

O relatório também chama atenção para a transformação estrutural nas relações de trabalho. O setor de TIC registra crescimento expressivo de contratações em modalidades não celetistas, como PJs e MEIs, que já superam os vínculos formais CLT em ritmo de expansão.

Entre 2023 e 2025, trabalhadores informais cresceram 3,3%, enquanto PJs e MEIs avançaram 8,9%, indicando uma maior diversificação das formas de emprego e uma reorganização das carreiras em tecnologia.

No horizonte, a Brasscom projeta que os investimentos em tecnologias digitais no Brasil alcancem R$ 774 bilhões até 2028, impulsionados pela necessidade de modernização e competitividade em áreas como computação em nuvem, inteligência artificial e Big Data & Analytics. Esse volume de recursos tende a aprofundar o processo de interiorização, ao estimular empresas e governos a buscar soluções tecnológicas em diferentes regiões, ampliando o mapa de oportunidades para profissionais de TIC.

Para o leitor de "Brasilianas", o recado é claro: enquanto Brasília se afirma como polo de alta remuneração e demanda qualificada, o país como um todo vive uma redistribuição gradual dos empregos de tecnologia, com novos centros emergindo fora do eixo tradicional. Entender essa dinâmica é essencial para pensar formação, carreira e políticas públicas de longo prazo.