Nem sempre o sucesso nasce dentro de uma grande gravadora ou de uma estratégia milionária de marketing. Às vezes, ele surge da combinação entre talento, persistência e a convicção de que uma música merece encontrar seu público.
Foi exatamente isso que aconteceu com as Mariasss.
Formado pelas irmãs Maria Luísa, Ludmila Maria e Maria Laura, o trio brasiliense vive hoje o momento de maior projeção da carreira após a explosão de 'Flert3', faixa que viralizou nas redes sociais e abriu as portas de um universo conhecido por sua paixão e exigência: o fandom de K-pop.
A repercussão aconteceu de forma orgânica. Vídeos produzidos por fãs começaram a circular em diferentes plataformas, impulsionando a música para públicos que até então desconheciam a trajetória das artistas. Em pouco tempo, a faixa passou a aparecer em perfis e comunidades dedicados ao pop asiático, ampliando o alcance nacional do grupo e despertando a curiosidade de novos ouvintes.
O reconhecimento tem um significado especial para as três irmãs. Em entrevistas recentes, elas admitiram ter sido surpreendidas pela dimensão da repercussão. Mais do que os números, chamou atenção a identificação de um público acostumado a acompanhar artistas conhecidos pelo cuidado estético, pelas performances e pela construção visual de seus trabalhos.
O curioso é que o clipe responsável por essa explosão quase não saiu do papel.
Sem uma estrutura financeira robusta para a produção, as integrantes decidiram investir recursos próprios para viabilizar o projeto. Era uma aposta arriscada, mas que refletia a confiança depositada na canção. Segundo elas, 'Flert3' merecia um tratamento visual capaz de transmitir toda a energia e a proposta da música.
A gravação reuniu cerca de 20 amigas artistas e buscou referências em nomes como LE SSERAFIM, aespa e IVE, além de influências do cinema e da cultura pop contemporânea. O resultado ajudou a criar uma identidade visual que dialoga diretamente com a geração acostumada a consumir conteúdo em ritmo acelerado e altamente conectado.
Embora o sucesso pareça repentino para quem acompanha o fenômeno apenas agora, a história das Mariasss começou muito antes da viralização.
De certa forma, a música sempre esteve à mesa da família. As irmãs cresceram acompanhando a trajetória do pai, José Antônio Valadares, o Zezinho, saxofonista da lendária banda brasiliense Squema 6 e uma das figuras mais respeitadas da cena musical do Distrito Federal. O palco, portanto, não surgiu como descoberta, mas como uma extensão natural de uma convivência construída entre instrumentos, ensaios e apresentações.
Talvez por isso a trajetória do trio transmita a sensação de algo construído com paciência. Antes da formação definitiva das Mariasss, Malu e Lud já se apresentavam juntas e acumulavam experiência como dupla. A chegada de Laura consolidou um projeto que buscava mais do que reproduzir fórmulas prontas do pop contemporâneo.
As artistas apostam em um repertório que dialoga com experiências femininas do cotidiano, explorando temas que vão além dos relacionamentos amorosos. Nas músicas e nos conteúdos produzidos pelo grupo, há espaço para amizade, cumplicidade, autoestima e situações comuns à vivência de muitas mulheres.
Agora, impulsionadas pelo sucesso de 'Flert3', as brasilienses já trabalham no próximo passo da carreira. O objetivo é lançar o primeiro álbum de estúdio do trio. E, coerentemente com a identidade que vêm construindo, o projeto reunirá apenas compositoras mulheres.
Para um grupo que decidiu apostar no próprio bolso para transformar uma música em videoclipe, a repercussão atual parece confirmar que o risco valeu a pena.
De Brasília para os algoritmos de todo o país, as Mariasss descobriram que um simples flerte pode se transformar em algo muito maior: um encontro definitivo com o público.
Conheça o trabalho das Mariasss:
- Assista ao clipe de ‘Flert3’ das Mariasss no YouTube (clique aqui)
- Ouça o trabalho das Marriass no Spotfy (clique aqui)
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