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BRASILIANAS | Candidatura da ex‑primeira‑dama Mayara Rocha expõe divergência familiar com Ibaneis

Pré-candidatura da ex-primeira-dama pelo Podemos tornou-se ponto sensível na relação do casal, que está em crise conjugal -- Decisão de Mayara Rocha adiciona tensões familiares internas e se conecta a críticas recentes de Celina Leão sobre comportamentos considerados machistas e misóginos na política local

BRASILIANAS | Candidatura da ex‑primeira‑dama Mayara Rocha expõe divergência familiar com Ibaneis
Mayara Rocha fala, na entrevista, sobre o seu momento de filiação ao Podemos Crédito: Reprodução/You Tube

Há uma semana, "Brasilianas" revelou que o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) passava por "forte problema conjugal" com a advogada Mayara Noronha Rocha, de 38 anos, com quem é casado há quase sete anos. Ela sequer foi ao aniversário dele, de 55 anos, completados no dia 10 de julho. Ibaneis ficou sem a presença de familiares próximos na fazenda dele, em Corrente, no Piaui, por mais de dez dias.

Agora, passado o primeiro impacto da divulgação da crise, interlocutores de Ibaneis revelam que a decisão de Mayara de disputar uma vaga para a Câmara dos Deputados pelo Podemos foi o pivô das tensões familiares envolvendo o ex-governador e a ex-primeira-dama. Ele não apoia a candidatura da esposa. Simples assim.

Vamos explicar melhor...

A pré-candidatura, tratada por Mayara Rocha como resultado de trajetória própria e preparação pessoal, passou a produzir efeitos simultâneos no ambiente doméstico e no cenário político do Distrito Federal, onde o movimento é lido como parte de uma disputa mais ampla por protagonismo e espaço de poder.

Mayara está filiada ao Podemos desde abril. A filiação foi anunciada pela imprensa, mas não foi registrada em nenhum evento público.

Em entrevista ao programa "Fala França", há duas semanas, ela relatou que tomou a decisão de se filiar mesmo diante da resistência de Ibaneis. Segundo disse, faltava cerca de uma semana para o prazo final quando optou por ingressar no partido.

“Ele disse: ‘Pra que? Não precisa’. Mas eu disse: ‘Eu vou me filiar’. Só quero que você ou venha comigo neste momento da filiação, ou que você tenha ao menos ciência”, afirmou a ex-primeira-dama. Ela contou que, após o diálogo, o ex-governador “preparou o território” para o ato. "Ele sabe bem a mulher que tem em casa."

Na época da filiação, Mayara deu declarações de que o objetivo daquela formalização era para apoiar dois aliados próximos ao casal: a ex-secretária de Desenvolvimento Social Ana Paula Marra e o advogado Renato Barros, irmão de Ibaneis, ambos pré-candidatos à Câmara Legislativa pelo Podemos.

Mayara negou, naquele momento, qualquer intenção de concorrer. A mudança de posição, porém, ocorreu nos meses seguintes — e não agradou ao ex-governador.

Segundo apuração da “Brasilianas”, a divergência sobre a candidatura passou a influenciar diretamente o clima familiar. 

Mayara afirmou publicamente que, se dependesse do marido, não teria avançado na ideia de disputar a eleição. “Se fosse depender dele pra eu ter esse desejo, essa vontade, essa ação... a verdade é que... 'Não'”, disse ela.

A ex-primeira-dama citou a preocupação de Ibaneis com a “defesa familiar” e o caráter “hostil” do ambiente político. A fala expõe uma diferença de visão que, segundo interlocutores, se tornou um ponto sensível na relação.

O Podemos se prepara para a campanha de Mayara

O Podemos confirma que trabalha exclusivamente com a hipótese de candidatura federal para Mayara Rocha. O presidente do partido no DF, Christian Viana — que foi secretário do Entorno no final da gestão Ibaneis — disse à “Brasilianas” que não há qualquer discussão sobre uma eventual candidatura distrital.

“Desde o início a proposta é essa. Não tem contexto ou hipótese para distrital. A única hipótese que estamos conversando e estruturando é ela sair para federal”, afirmou. Ele citou ainda que Ana Paula Marra (a ex-secretária de Ação Social) e Renato Barros (o irmão do ex-governador) integram o grupo político que acompanha o movimento.

Questionado sobre qual seria o posicionamento de Ibaneis diante da candidatura de Mayara, Viana respondeu que o partido conduz o processo independentemente da postura do ex-governador. “Só posso falar pelo partido. Aquilo que está a nosso alcance estamos fazendo para estruturar a campanha dela”, disse.

O Podemos também tem dialogado para apoiar a reeleição da governadora Celina Leão (PP) - o que adiciona um componente político adicional ao cenário, já que o rompimento público entre Celina e Ibaneis, ocorrido em maio, foi um dos fatores que deterioraram o ambiente familiar do ex-governador.

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"Ele conhece a esposa que tem", afirma a ex-primeira-dama, relatando o momento em que disse a Ibaneis que seria candidata a deputada federal | Foto: Reprodução/You Tube

Seria Ibaneis um machista ou misógino?

A interlocutores, o ex-governador tem insistido muito que "está muito magoado". A um ex-secretário de Estado, semana passada Ibaneis confidenciou: "Fui traído" - embora não tenha sido explícito se apenas no contexto político. Mas o ex-governador foi taxativo: "A vida dá muitas voltas!".

O contexto ganha outra camada quando se observa o movimento recente de Ibaneis de afastar-se pessoalmente da vida pública, mas manter a presença de aliados e familiares - homens - na política.

Além de apoiar a pré-candidatura do irmão, Renato Barros, o ex-governador acompanhou a filiação do filho, João Pedro Rocha, ao MDB em novembro de 2025. Aos 20 anos, João Pedro afirmou não ter intenção de disputar cargos eletivos no momento, mas ingressou no partido para incentivar a participação de jovens na política.

A combinação desses gestos — incentivo a herdeiros políticos homens e a resistência à candidatura da esposa — é interpretada por aliados como parte das tensões que atravessam o núcleo familiar.

A governadora Celina Leão também abordou esse tema recentemente. Ao responder críticas de Ibaneis sobre lealdade, afirmou que “sucessão nunca será submissão” e apontou um viés machista na postura do ex-governador, sugerindo que ele esperava continuar influenciando o governo “através” dela.

A declaração repercutiu no meio político e foi vista como recado direto ao comportamento de Ibaneis em relação a mulheres em posições de poder. Foi classificada por alguns até de "misoginia", que é o ódio, desprezo ou preconceito contra as mulheres, que se manifesta como uma violência política de gênero, cujo objetivo é silenciar mulheres, diminuir sua autoridade e impedi-las de exercer cargos de liderança ou tomar decisões. 

"É subestimar a capacidade de uma mulher", disse Celina Leão, em entrevista. "Dizem que o lugar da mulher é na cozinha, que mulher não entende de política e não nasceu para liderar, [mas] o Distrito Federal responde com ações, proteção e oportunidade. Não há limite para a força de uma mulher", completou depois, num vídeo em redes sociais.

"Estou preparada e posicionada", afirma Mayara

Durante a entrevista de Mayara Rocha ao "Fala França", o apresentador Luiz França — integrante do Podemos no DF — mencionou exemplos de ex-primeiras-damas que se candidataram a cargos legislativos e afirmou que o movimento não depende de “autorização” do marido, mas do reconhecimento do trabalho realizado.

Mayara respondeu destacando sua trajetória acadêmica e profissional, afirmando que não iniciou sua preparação “agora” e que sempre esteve “posicionada”.

Portanto, a combinação entre a pré-candidatura da ex-primeira-dama, a resistência pessoal (ou de convicção) de Ibaneis, a movimentação do Podemos e as críticas públicas de Celina Leão compõe um quadro que ultrapassa o âmbito familiar.

O avanço de Mayara no partido, somado à reorganização das forças locais para 2026, adiciona elementos que ajudam a explicar parte do contexto que envolve o momento atual do ex-governador e da ex-primeira-dama — e revela como decisões políticas individuais podem reconfigurar relações pessoais e redes de poder no Distrito Federal.

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Celina e Ibaneis em gesto de carinho público, durante o período em que estiveram juntos à frente do GDF | Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Leia agora alguns trechos da entrevista da ex-primeira-dama, disponível no You Tube:

"Olha o França querendo causar...  (O entrevistador quer saber se ela seria uma boa deputada federal). A pergunta que não quer calar... Eu me sinto num cenário onde eu estou aqui, com a chave pronta para abrir essa porta. Mas eu não vou empurrar esta porta com o pé.

Vou contar como se deu a minha filiação (ao Podemos). Faltava mais ou menos uma semana para o prazo final de filiação (que foi no final de abril). Eu olhei para aquele cenário e eu, como uma mulher que sempre fui pronta, que não começou de agora, que eu tenho minha história, minha trajetória na vida acadêmica, eu sempre fui uma mulher preparada, posicionada, que me preocupo com o futuro.
Então, naquele momento, eu pensei assim: Eu posso até não ser a candidata, mas uma coisa eu não vou ser. Eu não vou ser uma mulher despreparada. Para eu estar preparada, tenho de me filiar.

Ibaneis disse: "Pra que? Não precisa." Mas eu disse: "Eu vou me filiar". Dai eu completei: "Só quero que você ou venha comigo neste momento da filiação, ou que você tenha ao menos ciência, ok?"

Aí ele.... quem é marido, já entendeu o recado... Ele ligou (para o Podemos) e preparou o território.

Mas daí, veio a questão de eu ser pré-candidata. E daí eu fui falar com ele também sobre isso. Ele sabe da minha capacidade, ele reconhece o meu trabalho, mas, se fosse depender dele pra eu ter esse desejo, essa vontade, essa ação... a verdade é que... Não!

E ele fala muito pela questão da defesa familiar. A política, ela é muito pesada. É um ambiente hostil. E não é segredo pra ninguém que eu estou posicionada, que eu estou preparada."

França fala de uma lista de mulheres ex-primeiras-damas que foram candidatas e completa: "Não porque o marido autorizou ou não. Mas porque o trabalho dela foi tão grandioso, que é o que acontece com a Mayara".

Depois a própria Mayara comenta: "É como se a gente só visse como forma pejorativa... como se fosse ex-primeira-dama, fosse somente por isso, pela posição"

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(1) Trecho da entrevista em que Mayara Rocha fala da reação de Ibaneis Rocha: "Se fosse depender dele..." | Foto: Reprodução/You Tube

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(2) Trecho da entrevista em que Mayara Rocha fala da reação de Ibaneis Rocha: "...esse desejo, essa vontade, essa ação, a verdade é que... 'Não!'..." | Foto: Reprodução/You Tube

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(3) Trecho da entrevista em que Mayara Rocha fala da reação de Ibaneis Rocha: "...Ele fala muito da defesa da família...", completou. | Foto: Reprodução/You Tube