As "capivaras candangas", já incorporadas ao cotidiano das margens do Lago Paranoá e de outras áreas verdes do Distrito Federal, ganharam na sexta-feira passada (26 de junho) o primeiro retrato científico amplo sobre sua presença na região.
A primeira parte do relatório apresentado pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) indica que esses animais não são transmissores da febre maculosa.
A coordenadora do estudo, Morgana Bruno, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), explicou que as análises sorológicas descartaram a circulação da bactéria Rickettsia rickettsii, responsável pela forma mais grave da doença. Segundo ela, a presença de outras bactérias do mesmo gênero, sem patogenicidade, pode atuar como barreira biológica, impedindo a instalação da variante mais nociva no DF.
O projeto, desenvolvido pelo Ibram, pela UCB, pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e pela Secretaria de Saúde (SES), começou em janeiro de 2025, terá três anos de duração e busca responder à preocupação recorrente dos moradores sobre carrapatos e convivência com a fauna.
A territorialidade das capivaras, segundo os pesquisadores, funciona como cordão sanitário natural, contribuindo para a segurança das áreas onde vivem. Além das análises de saúde, o estudo inclui ações de educação ambiental voltadas à convivência pacífica com a fauna nativa e à disseminação de informações confiáveis sobre riscos zoonóticos, reforçando o papel desses animais no equilíbrio ecológico do DF.
Monitoramento técnico detalha dinâmica populacional e medidas de manejo no DF
O relatório técnico parcial apresentado em 26 de junho de 2026 detalha os avanços do projeto de monitoramento das capivaras no Distrito Federal. Os dados mostram variações sazonais na orla do lago, com 475 animais registrados no período de seca, em agosto de 2025, e 317 no período chuvoso, em janeiro de 2026, resultado do deslocamento natural dos grupos ao longo do ano.
O estudo utiliza métodos avançados de análise populacional, identificação genética e mapeamento de áreas de risco, além de investigar bactérias do gênero Rickettsia nos carrapatos coletados. Segundo a equipe, não há indícios de superpopulação, e o monitoramento foi ampliado para o Parque Ecológico de Águas Claras e o Jardim Zoológico de Brasília, incluindo análises sobre conectividade ecológica entre diferentes áreas.
As próximas etapas envolvem implantação de corredores de fauna, cercas-guia, sinalização e ações educativas voltadas à prevenção de atropelamentos e ao manejo ético das capivaras. Para o Ibram, o projeto representa avanço na integração entre ciência, gestão ambiental e segurança sanitária, oferecendo subsídios para políticas públicas de convivência harmoniosa entre fauna e população no DF.
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