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BRASILIANAS | DF mantém maior salário médio do país, de R$ 5,8 mil, e amplia base econômica em 2024, diz IBGE

Levantamento do IBGE revela expansão do emprego, aumento da massa salarial e predominância das entidades empresariais na estrutura produtiva da capital -- Mesmo com poucas unidades, setor público concentra salários e define perfil do mercado de trabalho

BRASILIANAS | DF mantém maior salário médio do país, de R$ 5,8 mil, e amplia base econômica em 2024, diz IBGE
O DF tem destaque como a liderança nacional no salário médio mensal, diz IBGE Crédito: TV Globo/Reprodução

O Distrito Federal consolidou, em 2024, sua posição como a unidade da federação com maior salário médio do país, alcançando R$ 5.805,20 mensais, segundo dados do Cadastro Central das Empresas (CEMPRE), divulgados semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mantém Brasília no topo da renda nacional e reforça o papel da capital como polo de empregos de maior qualificação e remuneração.

O desempenho vem acompanhado da expansão da atividade econômica. O DF chegou a 216,6 mil unidades locais — crescimento de 5,5% em relação a 2023 — indicando aumento no número de empresas e organizações em funcionamento. Esse movimento foi acompanhado pelo avanço do emprego formal: ao final do ano, 1,8 milhão de pessoas estavam ocupadas nessas unidades, alta de 6,0%, sendo 1,6 milhão de assalariados.

Brasília segue em crescimento de empresas e empregos

A massa de rendimentos seguiu a mesma trajetória. Os salários e outras remunerações pagos no DF somaram R$ 117,9 bilhões em 2024, evidenciando a capacidade de geração de renda da economia local. A estrutura produtiva permanece fortemente baseada no setor empresarial, responsável por 89% das unidades, embora o peso da administração pública siga determinante para sustentar o nível elevado de remuneração média.

Os dados indicam um cenário de crescimento simultâneo de empresas, emprego e renda, em uma economia marcada por serviços especializados, alta qualificação da força de trabalho e forte presença de atividades de maior valor agregado. Nesse contexto, Brasília mantém um perfil singular no país, combinando expansão econômica com liderança na renda média.

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Quadro comparativo do DF e da Região Centro-Oeste, no que trata de renda | Foto: IBGE/Divulgação

Administração pública sustenta renda e emprego no DF

A estrutura do mercado de trabalho do Distrito Federal continua fortemente ancorada na administração pública, que exerce influência desproporcional sobre o emprego e a renda na capital. Dados do CEMPRE 2024 mostram que o setor representa apenas 0,7% das unidades locais, mas concentra 35,2% do total de pessoas ocupadas, 41,2% dos assalariados e 56,4% de toda a massa de remuneração paga no DF.

O peso dos órgãos públicos ajuda a explicar por que Brasília lidera o ranking nacional de salário médio e reforça o papel da cidade como centro administrativo do país. Mais do que presença institucional, a máquina pública atua como principal eixo estruturante da economia local, influenciando diretamente o padrão de renda e o perfil do mercado de trabalho.

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Distribuição de pessoal contratado, de acordo com a atividade econômica no DF | Foto: IBGE/Divulgação
Micro e pequenas representam quase a totalidade de empresas

Esse desenho convive com uma base ampla de micro e pequenas empresas. Elas representam 93,1% dos estabelecimentos, mas têm participação mais limitada na geração de empregos e, principalmente, na distribuição de renda. Na prática, a economia local se organiza com forte pulverização na base e elevada concentração no topo, especialmente nas estruturas ligadas ao setor público e às grandes organizações.

A análise setorial reforça essa singularidade. A área de administração pública, defesa e seguridade social lidera em participação no emprego e na massa salarial, enquanto atividades privadas — como comércio e serviços especializados — predominam em número de unidades. O resultado é um modelo econômico típico de capital administrativa, no qual o Estado permanece como principal indutor da renda e referência para o conjunto do mercado.

Setores de elite puxam salários no DF

Os maiores salários do Distrito Federal estão concentrados em setores específicos da economia, com forte presença de atividades altamente qualificadas. Dados do CEMPRE 2024 mostram que as áreas de atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados lideram o ranking, com remuneração média mensal de R$ 13.277,35. Na sequência aparece o setor de eletricidade e gás, com R$ 13.263,21.

Os valores estão muito acima da média geral do DF e ajudam a sustentar o patamar elevado de renda da capital. O desempenho desses segmentos reflete a presença de serviços especializados, estrutura regulada e forte concentração de profissionais qualificados.

O recorte também evidencia que, além do setor público, há nichos específicos da economia privada capazes de gerar alta renda, contribuindo para o perfil de Brasília como um mercado de trabalho seletivo e concentrado em atividades de maior valor agregado.