A Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF (Semob) reajustou a tarifa técnica da Viação Piracicabana para R$ 9,40 por passageiro -- valor superior aos R$ 8,77 pagos até então. O aumento de R$ 0,63 por passageiro representa cerca de 7,2% de aumento e supera o pleito inicial da empresa, que havia solicitado um reajuste de 5,7%.
A medida foi formalizada nesta quarta-feira (24) por meio de portaria da Semob-DF e encerra o impasse que mantinha parados os 90 ônibus elétricos, que foram apresentados pelo GDF em maio como parte da modernização do Sistema de Transporte Público Coletivo (STPC-DF). Com a portaria assinada (que deve ser publicada no Diário Oficial do DF somente hoje), os 12 primeiros ônibus elétricos foram autorizados pelo GDF a iniciar operação em quatro linhas que saem da Rodoviária do Plano Piloto.
A tarifa técnica é o valor pago pelo governo às concessionárias para remunerar a operação do transporte público. O usuário desembolsa R$ 5,50, e a diferença é subsidiada pelo GDF. No caso da Piracicabana, responsável pela Bacia 1, o reajuste era considerado pela empresa como condição para recompor investimentos realizados na aquisição dos veículos elétricos e nas adaptações estruturais necessárias para a eletrificação da frota. Esses investimentos são classificados como CAPEX, sigla em inglês para capital expenditure, que engloba gastos de longo prazo, como compra de frota, obras e equipamentos.
Segundo apurou “Brasilianas”, houve pressão direta da governadora Celina Leão (PP) para que a solução fosse encontrada pela Semob-DF. A orientação interna era destravar a operação dos novos ônibus elétricos ainda em junho, após a repercussão da revelação feita por "Brasilianas", na semana passada, que mostrou que o entrave não estava mais relacionado à infraestrutura de recarga (que foi um problema inicial), mas ao impasse tarifário entre a concessionária e o GDF. Ontem, a Semob-DF não comentou oficialmente o reajuste, mas confirmou a liberação dos primeiros veículos.
Com a autorização do GDF, a operação começou pelas linhas 109.3, 109.4, 108.5 e 0.110, que atendem áreas como Esplanada dos Ministérios, Setor de Autarquias Sul, Pátio Brasil, Setor Militar Urbano, Rodoferroviária e Universidade de Brasília (UnB). Juntas, essas linhas transportam cerca de 25 mil passageiros por dia. A Semob informou que a liberação será progressiva até atingir a totalidade da frota dos 90 veículos.
A operação dos ônibus elétricos ocorre em meio ao debate sobre o prazo das concessões do transporte público do DF, estruturadas em blocos de 10 + 10 anos e com término previsto para 2033. Técnicos do setor consideram o período restante muito curto para amortizar investimentos de eletrificação e modernização, mas não há, neste momento, ambiente político para discutir eventual extensão contratual.
Com o reajuste homologado, o governo resolveu o impasse imediato e colocou em circulação a primeira parcela da frota elétrica, enquanto o restante aguarda liberação conforme os trâmites operacionais.
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