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BRASILIANAS | Intervenção no MDB‑DF expõe ruptura acumulada e redesenha disputa política no Distrito Federal

Decisão de Baleia Rossi coroa meses de desgaste entre grupos de Celina Leão e Ibaneis Rocha e leva crise local ao centro da sigla -- Medida acelera reposicionamentos e ampliam pressão sobre a Câmara Legistativa e o GDF -- Crise redesenha articulações no DF para as eleições 2026

BRASILIANAS | Intervenção no MDB‑DF expõe ruptura acumulada e redesenha disputa política no Distrito Federal
Durante o feriadão, o MDB do Distrito Federal entrou em crise após movimentos internos que expuseram divergências sobre o comando partidário e o papel da legenda nas articulações políticas do DF. O ponto mais alto da crise, que se arrasta desde o rompimento da governadora Celina Leão (PP) com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), ocorreu na noite de domingo quando o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, suspendeu todas as decisões do diretório regional. Crédito: Instagram

A crise no MDB do Distrito Federal, que se arrasta desde o rompimento político entre a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), anunciado por ambos no dia 20 de maio, atingiu seu ponto mais alto na noite deste domingo (07), quando o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi (SP), suspendeu todas as decisões do diretório regional e determinou que a Executiva Nacional assuma a deliberação sobre coligações e as dicussões sobre candidaturas no DF.

A intervenção do presidente nacional do MDB não é um episódio isolado. A separação entre os dois grupos desmontou a aliança que sustentou o MDB no poder por mais de sete anos e abriu uma disputa direta pelo controle da legenda no DF, com reflexos imediatos na Câmara Legislativa, no governo do DF e nas negociações eleitorais.

O estopim para a intervenção nacional foi o requerimento apresentado pelo deputado federal Rafael Prudente (MDB-DF) e subscrito pelos distritais Hermeto, Iolando e Jaqueline Silva, na quinta-feira, em pleno feriadão de Corpus Christi. No documento, os parlamentares pedem que a Executiva Nacional assuma a deliberação sobre coligações e candidaturas no DF, alegando que o diretório regional, presidido por Wellington Luiz (MDB), vinha adotando posições que não representavam o conjunto da legenda.

A crítica central recai sobre a aproximação de Wellington com a governadora Celina Leão, movimento que, segundo os deputados, contraria o alinhamento histórico do partido com Ibaneis Rocha.

O requerimento menciona ainda o “distanciamento político” entre Celina e Ibaneis e afirma que a situação se agravou após a governadora declarar que “sucessão nunca será submissão”, frase interpretada como recado direto ao ex-governador e que repercutiu entre lideranças do MDB.

A partir desse episódio, a disputa interna deixou de ser apenas uma divergência de bastidores e passou a envolver cargos, alianças, controle de diretórios distritais e influência sobre as chapas de 2026.

Diante do quadro, Baleia Rossi suspendeu todas as decisões do diretório regional sobre coligações e candidaturas e convocou reunião da Executiva Nacional para 11 de junho, quando o caso será analisado. Até lá, nenhum ato do diretório local produz efeito.

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Rafael Prudente, deputado federal pelo MDB, que lidera movimento de ruptura com o diretório regional do partido | Foto: Carlos Gandra/CLDF

A medida desloca o centro de decisão para a cúpula nacional e retira de Wellington Luiz a prerrogativa de conduzir o processo eleitoral no DF. Além disso, Baleia criou uma comissão com cinco integrantes do MDB nacional, relatada pelo líder Isnaldo Bulhões (MDB-AL), para elaborar diagnóstico sobre a situação política e eleitoral do Distrito Federal.

A intervenção nacional redefine o papel do MDB-DF nas articulações para 2026 e consolida a ruptura entre os grupos de Celina e Ibaneis. O movimento também fortalece o deputado Rafael Prudente, que busca ampliar sua influência interna e se posicionar como alternativa para a disputa ao Governo do Distrito Federal.

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O presidente da Câmara Legislativa e do MDB do DF, deputado distrital Wellington Luiz | Foto: CLDF

Isolamento de Wellington Luiz e reposicionamentos internos ampliam incertezas políticas no DF

A intervenção nacional no MDB-DF repercute diretamente no funcionamento político do Distrito Federal, especialmente na Câmara Legislativa, onde o presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), já enfrentava desgaste crescente.

O isolamento do parlamentar vinha se intensificando desde que ele passou a ser associado ao grupo da governadora Celina Leão (PP), em um momento em que parte expressiva do MDB se aproximava do deputado federal Rafael Prudente (MDB-DF), que articula a retomada do protagonismo da sigla nas decisões locais.

A suspensão das deliberações do diretório regional, determinada por Baleia Rossi, enfraquece ainda mais a posição de Wellington e reforça a divisão interna.

O cenário político se tornou mais complexo após o rompimento entre Celina e Ibaneis. A separação dos grupos abriu espaço para reposicionamentos de deputados distritais, secretários e lideranças regionais, que passaram a reavaliar alianças, ocupações em administrações regionais e participação em secretarias e empresas públicas.

 

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A governadora do DF, Celina Leão, fala aos jornalistas | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Crise pode dificultar proposta de Celina para salvar o BRB

A disputa interna no MDB se entrelaça com a necessidade do governo de obter votos na CLDF para aprovar a lei que autoriza a operação de crédito destinada ao Banco de Brasília, ponto central do acordo firmado pelo GDF com o Supremo Tribunal Federal e o Governo Federal.

A instabilidade partidária ocorre em um momento em que o BRB se tornou um dos temas mais sensíveis da agenda política local. Sem a aprovação da lei pela CLDF, o consórcio de bancos que participa da operação se recusa a avançar, o que coloca o governo diante de um impasse.

Nos bastidores, integrantes do MDB avaliam alternativas que vão desde a renegociação das condições até a possibilidade de privatização ou liquidação do banco, caso o acordo não avance — cenário mencionado por aliados de Rafael Prudente como hipótese extrema em caso de ruptura definitiva com o governo.

A situação política se agravou com a determinação do Ministério Público do DF, anunciada na última quarta-feira, para exoneração de comissionados em administrações regionais, medida que afeta diretamente a base política do governo e aumenta a pressão sobre Celina Leão.

A soma desses fatores — crise no MDB, disputa interna, impacto no BRB, decisões do MP e reposicionamentos de lideranças — cria um ambiente de incerteza que deve marcar as articulações da semana e influenciar a formação das chapas para 2026.

O desfecho da intervenção nacional no MDB-DF será determinante para definir o ritmo das votações e o equilíbrio de forças no Distrito Federal.