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BRASILIANAS | Cade (curiosamente) quer punir as falas públicas do presidente do Sindicombustíveis DF

Conselho de Defesa Econômica (em vez de mirar os cartéis de combustíveis do DF), aponta risco concorrencial em entrevistas a jornalistas e nas redes sociais do presidente da entidade; Defesa diz que manifestações foram informativas e legítimas. Caso segue para julgamento no Tribunal do Cade

BRASILIANAS | Cade (curiosamente) quer punir as falas públicas do presidente do Sindicombustíveis DF
Paulo Tavares, presidente do Sindicombustíveis-DF Crédito: Bruna Gaston/CB

A (curiosa) recomendação da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para condenar o Sindicombustíveis-DF e seu presidente, Paulo Tavares, tem como base um ponto incomum em processos concorrenciais: as entrevistas, participações dele em podcasts e as declarações públicas.

O Cade é a autoridade antitruste responsável por investigar condutas que possam afetar a concorrência no país, como cartéis, acordos de preços e práticas que distorcem o mercado. No caso do Sindicombustíveis do Distrito Federal, porém, a SG não aponta combinação de preços nem coordenação entre postos. O foco da investigação está no conteúdo de falas concedidas por Tavares ao longo dos últimos anos, muitas delas em respostas diretas a jornalistas ("Brasilianas" entre eles), em um padrão de comunicação da entidade marcado pela rapidez no atendimento à imprensa e pela ausência de assessoria de imprensa.

(Ponto de vista desta coluna: sempre que solicitado, o presidente do Sindicombustíveis foi prestativo e objetivo. Por óbvio, ele defende o ponto de vista da entidade e de seus associados. Alíás, é para explicitar exatamente isso que ele é questionado pelos jornalistas.)

Segundo a SG do Cade, declarações do tipo das que Paulo Tavares faz "poderiam influenciar o comportamento de revendedores e contribuir para a uniformização de condutas comerciais".

A defesa do Sindicombustíveis afirma que todas as manifestações do seu presidente tiveram caráter informativo e institucional, voltadas a explicar fatores econômicos, tributários e regulatórios que afetam o setor, especialmente em períodos de forte volatilidade internacional. Argumenta ainda que “informar a população não se confunde com alinhamento comercial” e que a atuação de Tavares sempre ocorreu dentro dos limites da liberdade de expressão e da atividade sindical.

O processo, segundo o Sindicombustível, reúne interpretações jurídicas divergentes desde sua abertura, incluindo manifestações anteriores favoráveis ao arquivamento - o que evidencia a complexidade técnica do caso.

A recomendação da SG tem caráter opinativo e não representa decisão final. Caberá ao Tribunal do Cade avaliar se declarações públicas podem, de fato, configurar risco concorrencial em um mercado sensível para o DF.