Saúde aponta riscos e benefícios do café

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O café, presença constante na rotina de milhões de brasileiros, vai muito além de um simples hábito diário. Consumido para despertar pela manhã, manter a produtividade ao longo do dia ou acompanhar momentos de pausa, a bebida também desperta dúvidas sobre seus efeitos no organismo. Afinal, o café é aliado da saúde ou pode trazer prejuízos?

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), especialistas apontam que o consumo pode, sim, trazer benefícios, desde que feito com moderação. A recomendação geral é de até 400 miligramas de cafeína por dia, o equivalente a cerca de três a cinco xícaras.

Segundo a nutricionista Alessandra Torres, os efeitos positivos estão relacionados à atuação da cafeína no cérebro. A substância bloqueia a adenosina, responsável pela sensação de sono, o que aumenta o estado de alerta, a atenção e o foco. Além disso, o café pode contribuir para o desempenho cognitivo e físico, ao estimular o sistema nervoso central e favorecer resistência e força em atividades do dia a dia.

Por outro lado, o mesmo efeito estimulante pode prejudicar o sono. A médica Monique Fazzi alerta que a cafeína permanece ativa no organismo por várias horas, impactando não apenas a facilidade para dormir, mas também a qualidade do descanso. A orientação é evitar o consumo até, pelo menos, 10 horas antes de dormir, especialmente para pessoas mais sensíveis à substância.

Essa sensibilidade, inclusive, varia de pessoa para pessoa, muitas vezes por fatores genéticos. Enquanto alguns metabolizam a cafeína rapidamente, outros podem sentir seus efeitos por mais tempo, o que interfere diretamente no ciclo do sono.

Quando o assunto é saúde do coração, o café já foi considerado um vilão, mas essa visão vem sendo revista. A cardiologista Wanessa Abner explica que o consumo moderado não está associado ao agravamento da pressão arterial. Em casos controlados, até mesmo pessoas com hipertensão podem consumir a bebida, desde que sigam orientação médica e mantenham hábitos saudáveis.

No entanto, há exceções. Pacientes com arritmia ou que apresentam sintomas como palpitações devem evitar o consumo, já que a cafeína pode intensificar esses quadros. Pessoas com histórico familiar de morte súbita, desmaios ou suspeita de problemas cardíacos também precisam de avaliação antes de incluir o café na rotina.

O excesso, por sua vez, costuma dar sinais claros. Irritabilidade, tremores, taquicardia e desconfortos gástricos, como acidez e queimação, podem indicar que o limite foi ultrapassado. Indivíduos com ansiedade ou insônia devem ter atenção redobrada, pois a cafeína pode intensificar esses sintomas.

Outro ponto importante é a forma de consumo. Especialistas recomendam evitar açúcar e adoçantes, priorizando o café puro, já que o açúcar está associado ao risco de obesidade e diabetes.