Ex-tesoureiro da Prefeitura de B. Mansa é condenado
Servidor desviou mais de R$ 13 milhões e apontou vício em plataformas de aposta
"A Prefeitura de Barra Mansa sempre confiou na Justiça e nas autoridades que estiveram envolvidas nesse fato". Foi assim que o governo municipal declarou sobre a condenação do ex-tesoureiro da Secretaria Municipal de Assistência Social da cidade, Matheus Borges de Oliveira, por crimes de peculato-desvio e falsificação de documentos. A decisão expedida pelo juiz Raphael Jorge de Castilho Barilli, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Barra Mansa, pontuou que os desvios chegaram ao montante de R$ 13 milhões das contas públicas entre 2017 e 2025.
Somando todos os crimes, foi aplicada uma pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, a perda do cargo público e um valor indenizatório pelos prejuízos ao município de Barra Mansa no total de R$ 13 milhões. Ele pode entrar com recurso de apelação, mas não poderá recorrer em liberdade.
SOBRE O CRIME
O Correio Sul Fluminense teve acesso ao documento do processo que detalhou sobre o crime. O ex-funcionário público utilizava de sua posição na pasta para desviar os valores e para encobrir o crime, falsificava extratos bancários e também manipulava sistemas informatizados para ocultar as transferências.
Os valores eram transferidos para contas pessoais e também de terceiros, também por meio de PIX, ao longo de oito anos.
- Conforme declarado pela testemunha, o denunciado acessava as contas bancárias dos fundos por meio de seu aparelho celular e notebook pessoais, o que lhe permitia consultar e movimentar os valores depositados ainda que estivesse fora do local de trabalho ou após o horário de expediente. Além disso, mesmo durante o seu período de férias, era comum que realizasse os pagamentos programados, uma vez que era o único responsável pela execução de tais operações - afirmou o documento.
Em relato a polícia, o ex-tesoureiro havia confessado que tinha iniciado a prática de desvios em 2017 e que os atos haviam sido intensificados em razão de ter desenvolvido vício em apostas - as famosas bets - por meio de plataformas digitais. Apenas no ano de 2025, o homem teria movimentado mais de R$ 60 milhões de reais em jogos de azar, montante que era incompatível com a remuneração recebida enquanto servidor público.
Ficou comprovado que ele havia feito os desvios milionários com a finalidade de apostar na plataforma de jogos Blaze, de modo a obter ganhos pessoais e depois ressarcir os fundos municipais dos quais retirava os valores ilícitos.
- Conquanto o réu sustenta que tinha o intuito de ressarcir os valores que desfalcava, é certo que não se pode deixar de observar que ele apostava essas quantias oriundas do erário municipal visando a obter ganhos irregulares - apontou o juiz.
Relembre o caso
Em dezembro de 2025, a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Joseane Ricarte, e o secretário de Finanças, Leonardo Ramos de Oliveira, compareceram à 90ª Delegacia de Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência contra o servidor público. Matheus Borges de Oliveira era concursado há 13 anos e exercia cargo de confiança há cinco anos.
A irregularidade foi identificada por meio de uma auditoria interna, conduzida pelas secretarias responsáveis, que comprovou os desvios. Na época, a secretária e o secretário de Finanças apresentaram à delegacia toda a documentação comprobatória.
De acordo com o G1, réu foi localizado e preso na casa de um parente pouco depois da denúncia e permaneceu no sistema penitenciário desde então.