Continuidade de Angra 3 é pautada em terra e mar

Flávio Bolsonaro defende retomada durante carreata e barqueata ao lado de Renato Araújo em Angra dos Reis

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Ao lado do candidato a deputado federal Renato Araújo, Flávio também defendeu a ampliação do potencial de vocação turística da cidade

Com mobilizações por meio de motocarreatas, seguidas de barqueatas, o senador e candidato a Presidência da República, Flávio Bolsonaro, defendeu a continuidade das obras da usina nuclear Angra 3 e a vocação turística de Angra dos Reis, principal reduto eleitoral de sua família. As declarações foram feitas durante um evento de campanha, organizada pelo candidato a deputado federal Renato Araújo na cidade, na região da Costa Verde.

- Vamos olhar menos para o passado e pensar mais no futuro. Energia é uma questão a ser enfrentada no Brasil e aqui, em Angra, temos as usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e Angra 3, que está até hoje sem terminar. Ela consome quase R$ 1 bilhão por ano dos cofres públicos. Então, junto da iniciativa privada, temos que concluir essa obra - afirmou Flávio.

Somente no processo de continuidade de obras, estimativas apontam que cerca de 7 mil vagas podem ser geradas. Quando for concluída, até 20 mil postos de trabalhos podem ser criados para cadeia de suprimentos e serviços.

As cidades da Costa Verde também poderiam se beneficiar das contrapartidas socioambientais da Eletronuclear devido às obras. Angra dos Reis, por exemplo, é a que recebe a maior fatia: cerca de R$264 milhões. As cidades de Paraty e Rio Claro também tem direito a receber cerca de R$ 40 milhões e R$ 10 milhões, respectivamente.

Os repasses seriam escalonados em parcelas anuais com previsão de quitação total até o ano em que a usina inicie as operações, especialmente para investimentos locais de saúde e infraestrutura urbana.

No entanto, a liberação total e o fluxo das verbas estão diretamente atrelados ao cronograma de andamento e retomada efetiva das obras, que ainda passa por avaliações financeiras e governamentais.

Entenda sobre o imbróglio

A usina nuclear Angra 3 é a terceira unidade da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAA), controlada pela Eletronuclear. Localizada em Angra dos Reis, a usina teve suas obras iniciadas em 1984 mas foram interrompidas em 1986 devido à crise econômica nacional.

As obras foram reiniciadas em 2009 mas, após escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato, foram paralisadas novamente em 2015 com cerca de 66% de execução física concluída.

Desde então, a definição pela continuidade das obras da unidade virou um verdadeiro impasse político e também financeiro: isso porque, enquanto ainda se discute sobre uma definição, cerca de R$ 1 bilhão por ano são gastos para manter a atual conservação da estrutura e também para pagamento de juros de financiamentos anteriores.

Vocação turística

Outro ponto destacado por Flávio é a vocação turística e potencial de trazer ainda mais visitantes para Angra dos Reis. "Tem milhões de brasileiros que gastam milhares de dólares indo para Cancún, para a Indonésia, para um monte de lugar longe, e a gente podia fazer a mesma coisa em uma região como Angra, Paraty, Mangaratiba. Isso que eu vou tratar com muita força aqui para a região. Tudo para que possa acontecer com segurança jurídica", destacou.

Em julho, inclusive, o senador se manifestou contrário a Taxa de Turismo Sustentável (TTS) que foi implementada na cidade, especialmente na Ilha Grande. Na época, ele afirmou que o tributo afastava os turistas e também prejudicava os empresários e trabalhadores locais.

Evento e presenças

A programação começou com uma motocarreata que saiu da Marina do Atlântico até o Cais de Santa Luzia, no Centro da cidade. De lá, a comitiva seguiu de barco em direção à Praia de Jurubaiba.

O evento contou com a participação do candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, dos candidatos ao Senado, Carlos Portinho e Carlos Jordy, o candidato a governador do Estado do Rio, Douglas Ruas, entre outros políticos.