Apreensões de medicamentos para emagrecer aumentam 172% no país
Até o mês de junho, 165.589 canetas, ampolas e frascos foram apreendidos em operações no país
A apreensão de medicamentos para emagrecimento tem aumentado no país e chama atenção para os riscos do mercado clandestino. Dados divulgados pela Polícia Federal apontam aumento de 172% nas apreensões de emagrecedores em todo o país. Até junho, foram apreendidos 165.589 produtos, entre canetas, ampolas e frascos.
Na última semana, duas pessoas de Volta Redonda foram presas em flagrante pela PF durante uma fiscalização no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Os suspeitos haviam desembarcado de um voo comercial proveniente de Foz do Iguaçu (PR) e transportavam medicamentos para emagrecimento sem o devido registro. Eles foram indiciados por importação de medicamento sem registro perante o órgão de vigilância sanitária competente.
No Aeroporto Internacional do Rio, as apreensões de canetas emagrecedoras aumentaram 118% em 2026, na comparação com o ano anterior. Outro caso de grande proporção foi registrado pela Polícia Rodoviária Federal, que apreendeu mais de 30 mil canetas escondidas em um caminhão que seguia de Foz do Iguaçu para São Paulo. A apreensão foi considerada a maior desse tipo já realizada no país.
O crescimento das apreensões ocorre enquanto esses produtos também ganham espaço no comércio clandestino, com vendas realizadas por meio de redes sociais e grupos de mensagens. A promessa de resultados rápidos pode levar consumidores a buscar medicamentos sem receita, procedência ou acompanhamento profissional.
Além da perda de peso
Para o professor do curso de Farmácia da Estácio e doutor em Ciências da Saúde, Hiran Reis Sousa, medicamentos utilizados para emagrecimento não devem ser tratados como produtos meramente estéticos. Substâncias que atuam sobre os receptores GLP-1 ou sobre os sistemas GIP/GLP-1 interferem em diferentes mecanismos do organismo e precisam ser indicadas de acordo com as condições de cada paciente.
Antes do tratamento, explica o especialista, é necessário avaliar o histórico clínico, a presença de doenças associadas, o índice de massa corporal e os medicamentos já utilizados. Também podem ser necessários exames para verificar glicemia, colesterol e triglicerídeos, funções hepática e renal, hemograma e funcionamento da tireoide.
O uso sem acompanhamento pode provocar náuseas, tontura, fadiga e perda de massa muscular. Em situações mais graves, segundo Hiran, podem ocorrer desidratação, distúrbios eletrolíticos, pancreatite, problemas na vesícula biliar e hipoglicemia em determinados pacientes.
O especialista também alerta para o uso exclusivamente estético por pessoas que não possuem indicação clínica. Nesses casos, além da perda excessiva de massa muscular e de possíveis deficiências nutricionais, pode ocorrer o chamado efeito rebote, com recuperação do peso após a interrupção do tratamento.
Outro risco está na própria origem dos produtos comercializados clandestinamente. Sem controle sanitário e garantia de procedência, o consumidor não tem segurança sobre a composição e as condições de armazenamento do medicamento. Hiran destaca ainda contraindicações importantes, como gestação e amamentação, histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide e síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.
Para o especialista, o tratamento deve ser individualizado e acompanhado por profissionais de saúde, com avaliação médica antes do início e durante o uso dos medicamentos.