Medicamentos entram na mira de quadrilhas especializadas em cargas

Estudo aponta prejuízo de R$ 283 milhões e mudança no perfil do crime no país

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Apreensão recente no Sul Fluminense reforça tendência nacional de aumento de crimes envolvendo cargas farmacêuticas

O roubo de cargas no Brasil deixou de priorizar o volume das mercadorias e passou a mirar produtos de alto valor agregado e fácil revenda, com os medicamentos entre os principais alvos das organizações criminosas. A tendência nacional também encontra reflexo no Sul Fluminense. Na segunda-feira (27), uma carga de medicamentos avaliada em mais de R$ 400 mil foi apreendida pela Operação Foco no Posto Fiscal de Itatiaia, reforçando o papel estratégico das rodovias da região para o transporte de mercadorias entre diferentes estados.

O caminhão, que saiu do Brás, em São Paulo, com destino ao Espírito Santo, transportava medicamentos junto a bicicletas elétricas e roupas íntimas. Durante a fiscalização, foram apreendidas 69 unidades de Tirzepatida, 192 ampolas de Retatrutida e dois peptídeos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O material foi encaminhado à 99ª Delegacia de Polícia, onde permaneceu retido.

Segundo duas pesquisas encomendadas pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados, Excepcionais e Hospitalares (Abradimex), o setor de distribuição de medicamentos especializados acumulou prejuízos de R$ 283 milhões em 2024 em razão do roubo de cargas.

Embora os produtos farmacêuticos representem apenas 2% do total de cargas roubadas no país, eles despertam o interesse das quadrilhas pelo alto valor agregado, pela dificuldade de rastreamento e pela facilidade de revenda no mercado informal. Além dos prejuízos financeiros, as ocorrências elevam os custos operacionais e logísticos das empresas, que precisam investir em medidas de segurança cada vez mais rigorosas.

Para Ivan Amadeu Silveira, diretor-executivo da Cargosoft, fatores como o elevado valor das cargas e o aumento da demanda por medicamentos utilizados em tratamentos para diabetes e emagrecimento ajudam a explicar esse cenário. Segundo ele, o combate ao roubo exige uma atuação preventiva, baseada na integração entre tecnologia, inteligência de dados e gestão de pessoas.

A avaliação é compartilhada por Jones Ghisi, diretor de operações da GR Parceria, empresa responsável pelo gerenciamento de riscos das operações da Cargosoft. De acordo com ele, estratégias como monitoramento em tempo integral, planejamento seguro de rotas, validação de motoristas e veículos, telemetria e videomonitoramento com inteligência artificial têm se tornado indispensáveis para reduzir os riscos.

Os especialistas avaliam que, nos próximos meses, o roubo de cargas deve se tornar ainda mais seletivo e planejado, mantendo o foco em produtos de alta liquidez, como medicamentos, eletrônicos, defensivos agrícolas e alimentos premium. Para eles, a combinação entre tecnologia, processos bem definidos e equipes capacitadas será determinante para aumentar a segurança das operações logísticas e reduzir as perdas provocadas pela ação das quadrilhas.